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Argentina

Cristina Kirchner muda o discurso quanto à morte de Nisman

Em carta, presidente argentina diz que promotor seguiu pistas falsas

Cristina Kirchner muda o discurso quanto à morte de Nisman
Kirchner afirma que Nisman foi vítima de um projeto que buscava atingir o governo (Reprodução/Internet)

Na manhã desta quinta-feira, 22, a presidente argentina publicou uma carta em seu site, afirmando, que depois de ler a denúncia do promotor na íntegra, ela soube que Alberto Nisman seguiu pistas erradas. Kirchner, então, mudou o discurso e pôs em dúvida a tese do suicídio. “O suicídio (que estou convencida) não foi suicídio”, diz a carta.

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A deputada da oposição, Elisa Carrio, afirmou que a falta de seriedade da presidente traz medo á sociedade. “Após ser conhecida a morte de Nisman ela falou de suicídio. Derrubada a tese de suicídio falou de assassinato. O único que é mantido sempre é que a culpa é da vítima”, afirmou a deputada.

Na última quarta-feira, 21, o New York Times publicou um editorial sobre a morte de Nisman, que virou matéria do La Nacion no mesmo dia por se tratar de uma dura crítica a Kirchner. “A presidente falou de suicídio e não fez uma única menção de condolência à família”, diz o texto do jornal americano reproduzido pelo diário argentino. O Times fala sobre como a presidente argentina defendia ferrenhamente que o caso se tratava de um suicídio: “Sua morte no fim de semana parece ser um suicídio, como o governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner parece ansioso para estabelecer, ou se trata do assassinato de um homem que sabia demais”, diz.

Segundo matéria publicada no Globo, a presidente, com base em um relato da Interpol, nega que a organização tenha levantado seu alerta vermelho aos suspeitos iranianos do atentado mais letal da Argentina, na Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, que matou 85 pessoas.

Kirchner afirma que Nisman foi vítima de um projeto que buscava atingir o governo a partir de pistas falsas. O principal acusado por ela de fornecer contrainformações seria o ex-diretor de contrainteligência da Secretaria de Inteligência, Antonio Stiusso.

“O promotor Nisman não sabia que os agentes de inteligência que ele denunciava na verdade não o eram. Muito menos que um deles fora denunciado pelo próprio Stiusso por tráfico de influência anteriormente”, diz.

A presidente também alega que a suposta conspiração que teria utilizado Nisman foi responsável pela morte dele. “Quando um jornal afirma que ‘queriam usá-lo vivo e agora usá-lo morto’, estavam equivocados. Usaram-no vivo e precisavam dele morto.”

O outro lado da história

Segundo o New York Times, conversas entre representantes do governo argentino e iraniano, sobre uma negociação secreta, foram interceptadas. A Argentina receberia petróleo em troca de proteção contra as acusações de que o Irã teria orquestrado o ataque em 1994.

As transcrições vieram a público por um juiz argentino na última terça-feira, 19, que faria parte do relatório de cerca de 300 páginas, escrito por Nisman. As ligações parecem que foram interceptadas por representantes da inteligência argentina. Se for provado que as ligações são verdadeiras, essas transcrições podem mostrar um grande esforço do governo Kirchner para tirar as suspeitas de cima do Irã, com o intuito de ter acesso aos mercados iranianos, facilitando assim os problemas energéticos da Argentina.

Fontes:
O Globo-Em carta, Cristina Kirchner muda discurso e diz que promotor foi usado e morto
The New York Times-Suspicious Death in Argentina
La Nacion-Duro editorial de The New York Times sobre Cristina Kirchner y la muerte de Nisman
The New York Times-Argentine Phone Calls Detail Efforts to Shield Iran

3 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    A morte acidental, incidental ou criminosa de pessoas que perturbam o “status quo” não é incomum no Brasil.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Toda essa sujeirada já era motivo de impeachment até no Brasil, quanto mais na Argentina!
    Será que ainda tem tanto petróleo persa assim na Argentina que mantenha Cristina K. na presidência do país?…

  3. Robson da Silva Mothé disse:

    VERGONHA.

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