Início » Economia » Crítica ao livro ‘O capital no século XXI’ sugere previsões diferentes
Economia

Crítica ao livro ‘O capital no século XXI’ sugere previsões diferentes

Para Matthew Rognlie, um aluno do Massachusetts Institute of Technology, Piketty superestimou as taxas de retorno do capital no futuro

Crítica ao livro ‘O capital no século XXI’ sugere previsões diferentes
Matthew Rognlie apresentou três críticas fundamentais ao livro (Reprodução/Youtube)

Desde a publicação do livro O capital no século XXI, Thomas Piketty acumulou elogios por seu trabalho sobre desigualdade de renda e riqueza. O livro vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares. Mas depois desse enorme sucesso o livro de Piketty terá de enfrentar um novo desafio inesperado.

Em 20 de março Matthew Rognlie, um aluno de 26 anos do Massachusetts Institute of Technology, publicou um novo artigo no Brookings Papers on Economic Activity. Embora o artigo tenha sido divulgado primeiro em um blog com um texto de 459 palavras, diversos economistas renomados afirmaram que o trabalho de Rognlie era a crítica mais séria e profunda feita até o momento ao livro de Piketty.

Em O capital no século XXI, Piketty argumentou que no longo prazo a taxa de retorno da riqueza excede o crescimento econômico: uma dinâmica representada pela equação r>c. No decorrer do tempo, essa proporção entre a taxa de retorno sobre o capital versus o ritmo do crescimento econômico, aumenta a desigualdade à medida que uma parte da renda nacional absorvida pelos detentores de capital (os ricos) aumenta, enquanto a parcela direcionada ao trabalho (as demais pessoas) diminui. O autor também argumentou que o retorno de capital na história recente tem sido extraordinariamente estável, mesmo com a queda do crescimento econômico e que essa tendência continuará no futuro.

Matthew Rognlie apresentou três críticas fundamentais a esses argumentos. Primeiro, é provável que a taxa de retorno sobre o capital diminua no longo prazo, em vez de permanecer elevada como sugeriu Piketty, devido à lei da produtividade marginal decrescente. As formas modernas de capital, como softwares, têm seu valor depreciado mais rápido do que os equipamentos do passado. Uma impressora gigantesca de metal tinha uma vida útil de anos, enquanto um software de gerenciamento de base de dados ficará obsoleto em poucos anos. Isso significa que embora os retornos brutos dos ricos possam estar aumentando, não necessariamente está crescendo em termos líquidos, porque grande parte dos ganhos desse fluxo de capital precisa ser reinvestida.

Em segundo lugar, a pesquisa de Rognlie sugeriu que Piketty superestimara as taxas de retorno do capital no futuro. Essas taxas também diminuirão ao longo do tempo, a menos que a economia possa substituir com facilidade os trabalhadores por capital (como robôs). Entretanto, os registros históricos mostram que não é um processo tão fácil como proposto por Piketty.

Por fim, Rognlie mencionou que a parcela crescente da renda nacional proveniente do rendimento do capital não teve uma distribuição uniforme em todos os setores. A taxa de retorno sobre o capital no setor não habitacional tem se mantido estável desde 1970. Por outro lado, o aumento dos preços das moradias é responsável pelos retornos crescentes de capital.

Fontes:
Economist-NIMBYs in the twenty-first century

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *