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CRISE HUMANITÁRIA

Cruz Vermelha triplica ajuda humanitária à Venezuela

Ajuda foi acertada pelo presidente da organização, após encontro com Maduro. Banco Mundial e FMI aguardam decisão de membros sobre qual líder apoiar

Cruz Vermelha triplica ajuda humanitária à Venezuela
Entidade aumentou de US$ 9 milhões para US$ 24,6 milhões o orçamento destinado ao país (Foto: CICV)

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou que vai triplicar a ajuda humanitária enviada à Venezuela, aumentando de US$ 9 milhões para US$ 24,6 milhões o orçamento destinado ao país.

Segundo informou a entidade, vinte e oito hospitais e oito centros de saúde primários na Venezuela serão beneficiados com treinamento, água, saneamento e materiais médicos fornecidos pelo CICV.

A ajuda foi acertada após uma visita do presidente do CICV, Peter Maurer, de cinco dias ao país. A viagem fez de Maurer o primeiro presidente da entidade a visitar a Venezuela em 24 anos.

Em sua passagem pelo país, Maurer se encontrou o presidente Nicolás Maduro e fechou um acordo com o Ministério da Saúde da Venezuela, que sacramentou a ampliação da ajuda humanitária envida ao país.

“Durante minha visita conversei com muitos venezuelanos e testemunhei como eles enfrentam desafios diários decorrentes da deterioração dos frágeis serviços básicos de atenção, incluindo o acesso à assistência médica. Hospitais têm dificuldade em garantir água, eletricidade, medicamentos e equipes médicas suficientes. Nossa cooperação e apoio às instituições públicas serão cruciais para reverter essa situação”, disse Maurer.

A ajuda também será destinada a dar assistência a venezuelanos que estão emigrando do país. Em sua viagem, Maurer conversou com venezuelanos na fronteira com a Colômbia e Brasil, que além da falta de produtos básicos também lidam com a violência.

Maurer exaltou a disposição do governo venezuelano em trabalhar junto com a entidade. “Estou satisfeito com a disposição das autoridades em trabalhar conosco para atender às necessidades humanitárias que identificamos de maneira consensual”, disse o presidente do CICV.

As dificuldades enfrentadas pela Venezuela já levaram ao êxodo 3,4 milhões de pessoas, que migraram para países vizinhos, em especial a Colômbia, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com um relatório da entidade, mais 1,9 milhão de pessoas devem deixar a Venezuela este ano.

Recentemente, a ajuda humanitária se tornou uma ferramenta política usada tanto pelo regime de Maduro, quanto pela oposição, liderada por Juan Guaidó, líder opositor que se autoproclamou presidente, sendo reconhecido por mais de 50 países da comunidade internacional.

Em fevereiro deste ano, EUA e países do Grupo de Lima iniciaram o envio de ajuda humanitária à Venezuela. A medida, no entanto, tinha objetivos políticos: constranger o regime de Maduro e elevar a pressão da opinião pública e da comunidade internacional.

Pouco depois, Maduro anunciou o recebimento de ajuda humanitária da China e da Rússia, dois de seus principais aliados.

Na época, as principais entidades de ajuda humanitária, como as Nações Unidas e o CICV, não participaram da ação liderada pelos EUA e o Grupo de Lima, por reconhecer que a iniciativa tinha fins políticos contrários aos princípios de neutralidade, independência e imparcialidade da lei humanitária internacional. Além disso, segundo a lei internacional, para que a ajuda humanitária seja enviada, é preciso o consentimento dos atores envolvidos, como destacou a Cruz Vermelha na ocasião.

A politização da ajuda humanitária, por ambos os lados da disputa, acabou por agravar a crise no país. Em março, a ONU divulgou um relatório no qual instou Maduro e Guaidó a pararem de usar a ajuda humanitária como ferramenta política.

“A politização da assistência humanitária no contexto da crise dificulta a prestação de assistência de acordo com os princípios de neutralidade, imparcialidade e independência”, destaca o relatório.

Segundo dados da ONU, 94% dos venezuelanos vivem, atualmente, na pobreza, enquanto 7 milhões precisam de ajuda humanitária. Ao todo, o país conta com uma população de 32 milhões de habitantes.

Banco Mundial e FMI aguardam legitimidade

O novo presidente do Banco Mundial, David Malpass, anunciou que a instituição está preparada “para se envolver profundamente” na crise humanitária na Venezuela.

A declaração foi dada na última quinta-feira, 11, em uma coletiva de imprensa no âmbito das chamadas Spring Meetings, série de reuniões entre as duas instituições, que ocorrem todos os anos. O encontro deste ano vai desta sexta-feira, 12 até o próximo domingo, 14, em Washington.

No entanto, Malpass destacou que qualquer ação do Banco Mundial depende do consenso entre seus acionistas obre quem reconhecer oficialmente – Maduro ou Guaidó – como líder da Venezuela, algo que ainda não foi acertado.

A mesma posição adotou o FMI. Também em uma coletiva de imprensa, a diretora do fundo, Christine Lagarde, destacou que está ao encargo dos membros do FMI indicar que autoridade reconhecem diplomaticamente.

“Depende deles indicar qual autoridade reconhecem diplomaticamente para que possamos agir. Assim que fizerem isso, vamos agir”, disse Lagarde.

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