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UM ANO SEM FIDEL

Cuba entre a reforma política e a incerteza

Os líderes cubanos estão diante do impasse da necessidade de fazer uma reforma econômica e dos riscos inerentes a essa mudança

Cuba entre a reforma política e a incerteza
Um ano após a morte de Fidel, a sensação de anticlímax perdura em Cuba (Foto: Wikimedia)

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Durante anos, os exilados cubanos em Miami sonharam com o dia da morte de Fidel Castro, em que a população se rebelaria contra a ditadura comunista imposta por Fidel, após a vitória da revolução cubana e a deposição do ditador Fulgencio Batista. No entanto, depois de um ano de sua morte em 25 de novembro, a sensação de anticlímax perdura no país. Seu irmão, Raúl, que assumiu a presidência de Cuba em 2006, durante algum tempo mostrou-se mais aberto à ideia de uma reforma econômica de longo prazo. Agora, enquanto se prepara para as eleições presidenciais em fevereiro, mantém apenas uma postura cautelosa de estabilidade.

Raúl Castro continuará à frente do poder em Cuba como primeiro secretário do Partido Comunista por mais três anos. Mas será substituído na presidência em dois momentos delicados para a economia cubana. A decisão de Donald Trump de rever o acordo de abertura diplomática e comercial assinado por Barack Obama e a adoção de novas restrições de viagens de americanos a Cuba prejudicarão os negócios e o turismo. A passagem do furacão Irma, que em setembro devastou grande parte da costa norte e vários resorts turísticos, enfraqueceu ainda mais a economia do país.

O sucessor de Raúl, Miguel Díaz-Canel, um engenheiro de 57 anos que já assumiu alguns compromissos públicos, terá uma autonomia limitada. Ele é apenas um dos burocratas e generais do partido, que estão substituindo a generación histórica, que lutou ao lado de Fidel Castro na revolução de 1959.

Apesar da ajuda da Venezuela, que agora se reduziu à metade, Cuba não produz grande parte dos alimentos que consome e não tem recursos para pagar bons salários aos trabalhadores. Mais de 500 mil cubanos trabalham em um setor privado incipiente de pequenas e micro empresas, ou em cooperativas.

Desde a década de 1980, a economia cubana vem se deteriorando em comparação com a de outros países latino-americanos, como descrito em um estudo publicado no mês passado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Seu autor, Pavel Vidal, fez parte da equipe de consultores que assessorou Raúl em sua proposta de reforma econômica e, hoje, é professor na Universidade Javeriana em Cali, Colômbia.

Em seu estudo, Pavel mostrou que, em 2014, o PIB per capita em Cuba foi de US$3,016 na taxa de câmbio média, metade do número oficialmente divulgado e um terço da média latino-americana. Esse valor inclui os serviços sociais gratuitos como saúde, educação e moradia. Com base no poder de compra, o PIB per capita foi equivalente a US$6,205 em 2014, ou 35% abaixo de seu valor em 1985.

Vidal comparou Cuba com dez países latino-americanos, com um nível demográfico semelhante. Em 1970, Cuba era a segunda economia mais próspera da região superada pelo Uruguai. Porém em 2011, o último ano com dados disponíveis para consulta, em receita per capita o Panamá, Costa Rica, República Dominicana e o Equador ultrapassaram Cuba.

O declínio econômico de Cuba é consequência, em grande parte, da falta de investimentos, disse Vidal. Mas as reformas recentes resultaram em um pequeno aumento na renda e na produtividade.  O governo “seguiu na direção certa, mas não conseguiu atingir a meta proposta”, concluiu.

Para Díaz-Canel e sua futura equipe de governo a mensagem é clara: acelerar a mudança traz riscos políticos, porém a imobilidade acarreta problemas econômicos.

Fontes:
The Economist-Cuba’s leaders are trapped between the need for change and the fear of it

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1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Cuba está “enredada entre a necessidade de mudanças e o medo delas”. Infelizmente, o Brasil está do mesmo jeito. Até agora os discursos eleitorais ou são cosméticos perfumados de nacionalismo ou são calamidades revividas.

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