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GESTÃO EMPRESARIAL

Culto exagerado à alegria transforma funcionários em robôs

Funcionários que são obrigados a demonstrar alegria total no trabalho têm mais chances de sofrer de estresse e síndrome de burnout

Culto exagerado à alegria transforma funcionários em robôs
A felicidade tem sido usada como instrumento corporativo (Foto: beesapps.org)

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Lorde Eustace Percy, ministro da Educação do Reino Unido de 1924 a 1929, não aprovava a ideia de uma educação “progressista”, baseada em uma visão positiva e feliz do mundo, que se difundiu nas escolas britânicas durante seu mandato. Em sua opinião, era um absurdo: “As crianças precisam aprender a enfrentar as tristezas da vida.” Uma crítica semelhante é feita à teoria da “alegria total” de administração, que está sendo aplicada em muitas empresas e em alguns governos.

A líder desse modelo de gestão é a loja de sapatos online Zappos. A empresa espera que seus funcionários entrem em um estado de delírio quase incontrolável ao venderem sapatos. A rede de fast food britânica Pret A Manger quer se destacar tanto por seus sanduíches quanto pelo bom humor constante. As comissárias de bordo são treinadas para demonstrar uma simpatia afetada, mas as da companhia Virgin Atlantic parecem estar prestes a sair cantando e dançando no corredor do avião.

Até há pouco tempo, o Google tinha um funcionário “boa praça” que, entre outras atribuições, encarregava-se de transmitir aos colegas de trabalho um sentimento de tolerância, compreensão e uma mente aberta. Os mais diversos gurus e consultores estão pregando o culto à felicidade. Uma das regras é criar no ambiente de trabalho a “higiene da felicidade”. Assim como escovamos os dentes todos os dias, as pessoas deveriam ter sempre pensamentos positivos e escrever e-mails otimistas.

A Zappos está tão contente com os efeitos da felicidade no mundo corporativo, que criou uma consultoria chamada Delivering Happiness. Na equipe há um cargo especial de diretor de felicidade. As pessoas felizes envolvem-se mais em seu trabalho e são mais produtivas, dizem os psicólogos.  A ideia de criar cargos nas empresas para funcionários “boas praças” e “alquimistas da felicidade” soa ridícula, mas por que seria errada? Diversos estudos acadêmicos indicam que o “trabalho emocional” pode gerar retornos expressivos.

No entanto, os funcionários que se sentem obrigados a manter um sorriso simpático nos lábios ou mostrar alegria diante da escolha de um par de sapatos por um cliente, têm mais chances de ter um problema grave de estresse ou depressão. E a contradição entre as empresas que exigem uma imagem de felicidade dos funcionários, mesmo os que foram forçados a aceitar condições desfavoráveis de contratos temporários de trabalho ou de trabalhar como “colaboradores” autônomos, é cada vez mais nítida.

Mas o problema mais sério do culto à felicidade é a interferência inadmissível na liberdade individual. As empresas têm o direito de exigir que os funcionários sejam educados ao atender os clientes. Porém não podem controlar o estado emocional deles, nem transformar a felicidade em um instrumento corporativo.

Fontes:
The Economist-Against happiness

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1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Brave New World. E pílula da felicidade de Aldous Huxley, SOMA, já foi descoberta: nada mais do que contar notas de dólares continuamente; O palhoci é que é feliz!!! Muito eficiente, mesmo. Ele que o diga.

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