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Cúpula das Américas tem início em Lima

A 8ª edição do evento promete ser marcada por temas como corrupção e a relação dos EUA com o resto do continente

Cúpula das Américas tem início em Lima
Será a primeira vez que o evento não terá a presença de um presidente dos EUA (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

A 8ª Cúpula das Américas teve início nesta sexta-feira, 13, na capital peruana Lima. O encontro se estenderá por dois dias e é esperada a participação de 20 líderes do continente, entre eles o presidente Michel Temer.

Enquanto Temer estiver fora, o Brasil ficará sob o comando da presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia, a quarta na linha sucessória. Isso porque, atualmente, o Brasil não conta com um vice-presidente e os dois seguintes na linha sucessória, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, também estão em viagem no exterior.

A Cúpula das Américas é realizada a cada três anos, desde 1994. Porém, a edição deste ano será a primeira a não contar com a presença de um presidente dos Estados Unidos. Isso porque Donald Trump, que já não tem uma agenda proativa em relação ao continente, dando ênfase apenas à questão da imigração, cancelou sua participação no encontro para acompanhar a crise na Síria desencadeada pelo ataque químico a Douma na semana passada. Em seu lugar, ele será representado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

O encontro deste ano deve ser marcado por três pontos. O primeiro é a discussão da corrupção. Os anfitriões peruanos escolheram como tema do encontro a “governabilidade democrática frente à corrupção”. Atualmente, a corrupção é um tema bastante em alta na América Latina.

O próprio Peru recentemente viu seu presidente Pedro Pablo Kuczynski renunciar ao mandato por conta de escândalos de corrupção. Ele foi substituído por Martín Vizcarra. No Brasil, a Operação Skala, que apura um esquema de corrupção envolvendo o setor portuário, se aproxima do presidente Temer e na semana passada, o ex-presidente Lula, um dos líderes mais conhecidos da região, foi preso no âmbito da Operação Lava Jato.

Outro ponto que deve ser discutido é a relação dos EUA com a América Latina, em especial com o México. A gestão Trump afastou os EUA do resto do continente. Além de ameaçar dar fim ao Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), Trump defende vigorosamente a construção de um muro na fronteira com o México, o que acirrou a relação entre os dois países. E a ausência de Trump para tratar da questão não foi vista com bons olhos pelos demais países latino-americanos.

“Para Trump, a América Latina, com a possível exceção do México, está no nível de um vice-presidente [Mike Pence]. A mensagem, que todos mais ou menos intuíamos, agora não pode ficar mais clara. E é assim que a região vai ler. Bem como a China”, disse o ex-presidente da Costa Rica e diretor da Análitica Consultores, Kevin Casas, em entrevista à agencia de notícias AFP.

Outro ponto nevrálgico do encontro será a Venezuela. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, descartou sua participação no encontro por considerar o evento “uma perda de tempo”. No entanto, ele também não foi convidado. “Não está convidado, nem o deixaremos entrar na cúpula”, disseram à AFP fontes oficiais peruanas.

Atualmente, o Grupo de Lima, união de países criada em oposição ao governo Maduro, trabalha pelo não reconhecimento das eleições presidenciais de maio na Venezuela, que serão boicotadas pela oposição. Fazem parte do grupo Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. Os EUA também consideram a Venezuela “o problema mais urgente deste hemisfério neste momento”, como disse recentemente um alto funcionário do Departamento de Estado.

Equador quer prova de vida de jornalistas 

O presidente do Equador, Lenín Moreno, que estava em Lima para a cúpula, cancelou sua participação no evento e retornou a Quito na última quinta-feira, 12. O motivo foi o sequestro de uma equipe de jornalistas que foi levada quando realizava uma reportagem no povoado de Mataje, na fronteira entre o Equador e a Colômbia. O grupo é do jornal El Comércio, um dos maiores do Equador, e foi sequestrado no dia 26 de março. A reportagem apurava a existência de guerrilheiros que se afastaram do processo de paz firmado entre o governo colombiano e as já dissolvidas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os guerrilheiros estariam em Mataje, onde são perseguidos por forças de segurança do Equador e da Colômbia.

No início de abril, um vídeo exibido pelo canal colombiano RCN mostrou o repórter Javier Ortega (32 anos), o fotógrafo Paúl Rivas (45), e o motorista Efraín Segarra (60) com algemas e correntes no pescoço, segundo a France Presse.

Na quinta-feira, após informações de que o grupo teria sido executado, Moreno deu aos sequestradores um prazo até a tarde desta sexta-feira, para que seja enviada uma prova de vida dos jornalistas. Logo ao desembarcar em Quito, Moreno disse que, se o prazo expirar sem uma resposta, o Equador irá “com toda a contundência […] e sem contemplações para punir estes violadores de todos os direitos humanos.

Fontes:
G1-Cúpula das Américas começa nesta sexta no Peru; veja 3 pontos que irão marcar a reunião de líderes

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