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guerra na Síria

Curdos sírios se unem a rebeldes contra Assad

Ao se unir tardiamente aos rebeldes, os curdos sírios estão minimizando os riscos de suas apostas

Curdos sírios se unem a rebeldes contra Assad
Curdos apostam na queda de Assad para criar um região curda independente na Síria (Reprodução/Internet)

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Nos dialetos árabes do Iraque e da Síria, um homem que é muito cabeça dura é tido como alguém que tem uma mente curda. Talvez tal teimosia explique como os curdos, imprensados por anos entre os impérios persa, árabe e turco, tenham mantido uma ideia orgulhosa de nacionalidade. Tal característica pode também explicar porque os cerca de 3 milhões de curdos da Síria, apesar de terem sofrido menos que outras minorias durante os 40 anos de domínio do clã Assad, só estejam se unindo agora –de maneira hesitante – à batalha pela queda do sistema.

Conforme as batalhas se espalharam para outros lugares, uma faixa de cidades de maioria curda no até então pacífico norte da Síria aos poucos tomaram o controle da autoridade local das mãos do governo central de Damasco. Os ativistas curdos agora ocupam boa parte das instituições dessas cidades,incluindo delegacias, e bloquearam estadas em uma faixa de território ao longo da fronteira com a Turquia.

A sua autonomia está longe de ser integral. As forças do governo ainda se apegam às cidades grandes de Kamishli e Hasaka, bem como aeroportos e rodovias, mas a ousadia da apropriação e a aparente cumplicidade, ainda querelutante, das autoridades sírias, gera implicações que vão além das fronteiras sírias.

A Turquia, por exemplo, não  está contente. O mais bem armado e mais ativo dos grupos curdos dentro da Síria, o Partido da União Democrática (conhecido por sua iniciais curdas PYD) está intimamente ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (o PKK), um grupo esquerdista cujas guerrilhas, que exigem a independência dos cerca de 12 milhões de curdos da Turquia, executaram operações de insurreição intermitentes que ocasionaram a morte de 45 mil pessoas. Sob o regime do pai do presidente Bashar Assad, Hafez, o regime sírio ofereceu um porto seguro para o PKK.

A Turquia enviou o seu primeiro ministro, Ahmet Davutoglu, para conversar com Masoud Barzani, o presidente da região autônoma curda do Iraque. Economicamente bem sucedidos e politicamente seguros, os 5 milhões de curdos Iraquianos conquistaram uma influência crescente sobre o que eles chamam de Curdistão Ocidental – o nordeste plano e pouco povoado da Síria. Os curdos Sírios estão menos geograficamente concentrados do que seus irmãos iraquianos, sendo que é possível que a sua maioria agora more nas grandes cidades de Damasco e Aleppo.

Contudo, o separatismo se intensificou desde o início da guerra civil da Síria. Para a extrema irritação dos outros inimigos de Assad, os curdos se uniram sob uma oferta cara. Como recompensa por se juntar a luta,eles querem garantias firmes de que na Síria futura os seus direitos nacionais serão respeitados integralmente. Ao discretamente assumir a autoridade local de algumas cidades, os curdos estão fazendo apostas cautelosas.  É improvável que Assad sobreviva, mas, caso isso aconteça, ele ficará devendo um favor aos curdos por eles terem ficado fora da batalha. Caso ele perca, o seu sucessor herdará uma região curda independente semelhante à do Iraque.

Fontes:
The Economist-Hedging their Syrian bets

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