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ITÁLIA

De repente, outro Mussolini é candidato ao Parlamento Europeu

Bisneto do 'duce' lançou candidatura na frente de prédio ícone do fascismo. Seu slogan é ‘A História, o futuro, a Itália’

De repente, outro Mussolini é candidato ao Parlamento Europeu
Caio Mussolini pode suceder sua prima, Alessandra Mussolini, no Parlamento Europeu (Foto: Caio Mussolini/Facebook)

O site da União Europeia lembra que ela foi “criada com o objetivo de pôr termo às frequentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que culminaram na Segunda Guerra Mundial”. Órgão legislativo da UE, o Parlamento Europeu, que tem hoje como membro Alessandra Mussolini, poderá em breve ter como deputado outro descendente orgulhoso do duce criador do fascismo, aliado maior de Hitler, o führer que provocou a… Segunda Guerra Mundial.

Trata-se de Caio Giulio Cesare Mussolini, que nasceu 50 anos atrás na Argentina, para onde seu bisavô, Vittorio Mussolini, emigrou depois da guerra. Caio viveu alguns anos na Argentina e outros tantos na Venezuela. Ele chegou a servir na marinha italiana. Mora há tempos em Dubai, onde fez carreira no mundo dos negócios – de armas.

De repente, não mais que de repente, Caio Mussolini apareceu num vídeo feito em Roma de lançamento de sua candidatura pelo partido Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália) ao Parlamento Europeu. As eleições estão marcadas para maio. No vídeo, divulgado no Facebook no dia 7 de abril, Caio e a líder do partido, Giorgia Meloni, falam aos italianos tendo ao fundo o Coliseu Quadrado, ícone da arquitetura fascista. “Seu currículo – diz Giorgia – fala por si: profissional, militar e patriota”.

No último congresso do partido Fratelli d’Italia, realizado em setembro do ano passado, a grande estrela foi Steve Bannon, o estrategista político de Donald Trump que é ligado também à família Bolsonaro. Bannon é o idealizador da iniciativa “O Movimento”, um “supergrupo” global de extrema-direita que costuma ser referido pela mídia internacional – e autorreferido – por expressões como “grupo populista” ou “eurocéticos”. Um dos mais notórios entusiastas de “O Movimento” é o atual primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini.

De ponta-cabeça

Caio Mussolini pode, assim, render no Parlamento Europeu sua prima Alessandra, eleita deputada europeia em 2014 e cujo mandato termina em maio. Alessandra é hoje figura ascendente do partido Forza Italia, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A candidatura de Caio Giulio Cesare Mussolini foi lançada dias depois de explodir uma outra guerra, essa de tuítes, entre Alessandra e o ator americano Jim Carrey. No dia 30 de março, Carrey publicou no Twitter uma charge reproduzindo a famosa cena do dia da morte do duce, com o comentário: “Se você está se perguntando aonde o fascismo leva, basta perguntar a Benito Mussolini e a sua amante Claretta”.

Alessandra Mussolini respondeu assim a Jim Carrey: “Você é um bastardo”. Dias depois, questionado pela imprensa dos EUA sobre a reação de Alessandra, o ator disse que para ele foi “surpreendente” saber que a neta de Mussolini está na política, e provocou: “Ela sempre pode virar o desenho de cabeça para baixo. Vai parecer que o seu avô está pulando de felicidade”.

#EscrevaMussolini

Foi em 1919 que Mussolini criou os Fasci Italiani di Combattimento, os grupos paramilitares dos quais, dois anos depois, nasceria o Partido Nacional Fascista, como na Alemanha o Partido Nazista derivou das milícias anticomunistas freikorps. O fascismo faz, portanto, 100 anos em 2019.

Caio, que já disse várias vezes que não tem motivo para se envergonhar do seu sobrenome, tem como slogan de sua campanha os dizeres: “A História, o futuro, a Itália”. A hashtag com que vem pedindo votos na internet é #ScriviMussolini (#EscrevaMussolini), numa alusão cheia de orgoglio del fascio às regras eleitorais italianas, que mandam escrever na cédula de votação o sobrenome do candidato em que se quer votar.

Sobre a exploração de políticos de direita de sentimentos xenófobos latentes na sociedade italiana, o que vem sendo apontado na Itália como indicador de um novo fascismo, Caio Mussolini disse recentemente, já candidato, que se trata de “exagero da propaganda esquerdista”.

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