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Democracia

Debates entre candidatos à presidência estão se popularizando no mundo

Em 2014 o Afeganistão e a Indonésia realizaram seus primeiros debates

Debates entre candidatos à presidência estão se popularizando no mundo
Os cientistas políticos têm uma opinião cética quanto ao impacto dos debates televisionados de candidatos às eleições (Reprodução/Neil Webb)

Atualmente, os debates televisionados entre candidatos à presidência da República são ritos de passagem democráticos. A primeira eleição democrática da África do Sul em 1994 foi precedida por um debate entre Nelson Mandela e F. W. de Klerk. Em 2014 o Afeganistão e a Indonésia realizaram seus primeiros debates. Às vezes, os eleitores assistem a debates mesmo sem um regime de democracia plena: o partido no poder no México concordou em participar de um debate em 1994, bem antes da interrupção das fraudes nas eleições. O péssimo desempenho de Mahmoud Ahmadinejad no primeiro debate no Irã em 2009 lhe custou votos, sem que ele percebesse. Os candidatos podem tremer perante as câmeras e os espectadores bocejarem de tédio, mas os debates televisionados transformaram-se em uma demonstração quase universal de democracia.

Como os debates devem ser organizados e que impacto eles causam? A primeira pergunta refere-se a quem irá promovê-los. Alguns são organizados pelo Estado: na França, onde os debates televisionados acontecem com regularidade desde 1974, o Conseil Supérieur de l’Audiovisuel é o órgão encarregado de planejar e promover sua realização. Com mais frequência, as emissoras de televisão criam um formato a ser exibido de acordo com os objetivos dos partidos.

Depois dos primeiros debates nos Estados Unidos em 1960, entre John Kennedy e Richard Nixon, os democratas e republicanos só concordaram em realizar outro encontro entre candidatos à presidência em 1976. Nos 12 anos seguintes os debates foram organizados pela League of Women Voters (LWV), até que por discordarem das tentativas dos partidos de transformar os debates em uma série de “eventos eleitorais sem nenhum conteúdo”, os conselheiros da LWV decidiram transferir a responsabilidade de organizá-los para uma comissão administrada por democratas e republicanos. Essa decisão da LWV irritou os pequenos partidos, que se julgaram prejudicados.

Em seguida, quem deveria ser convidado? Alguns sistemas eleitorais limitam a escolha; na França só os dois candidatos à presidência eleitos para o segundo turno participam do debate. Por sua vez, os espectadores suecos assistem às apresentações das propostas políticas de todos os partidos com representação no parlamento, em razão do sistema proporcional de votos do país. Os partidos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm representantes no parlamento em Westminster e, por isso, reivindicam um espaço na mídia televisisa, apesar de não terem candidatos na maioria do país.

Às vezes os juízes decidem quem serão os participantes; em 2013 o Supremo Tribunal de Quênia determinou no último minuto que mais dois candidatos deveriam participar do debate, o que aumentou o número de participantes para oito e o programa arrastou-se por três horas. Nos Estados Unidos os candidatos à presidência precisam ter 15% de aprovação nas pesquisas para participarem dos encontros.

Os cientistas políticos têm uma opinião cética quanto ao impacto dos debates televisionados de candidatos às eleições. Um trabalho de análise de quase 2 mil pesquisas de opinião de eleições presidenciais nos EUA entre 1952 e 2008, realizado por Robert Erikson da Universidade de Columbia e Christopher Wlezien, professor da Universidade do Texas, revelou que as preferências dos eleitores definiam-se nos últimos seis meses das campanhas eleitorais, mas sem grandes alterações nas pesquisas iniciais de intenção de votos. E que até os piores desempenhos ao vivo tinham pouco impacto nas sondagens de opinião pública.

Fontes:
Economist-Lights, camera, election

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