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Defesas do mundo contra epidemias precisam se fortalecer

Aos poucos a epidemia de ebola está sendo controlada, mas como o mundo poderá se proteger contra os riscos de novas epidemias?

Defesas do mundo contra epidemias precisam se fortalecer
Principal medida de prevenção às epidemias é a detecção logo no início (Fonte: Reprodução/Eyevine)

Em 22 de março de 2014 os Médicos sem Fronteiras, uma organização internacional de ajuda humanitária, alertou o mundo para o surto da epidemia de ebola, que contaminou cerca de 25 mil pessoas e matou mais de 10 mil deste total, a maioria na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Agora, a Libéria praticamente erradicou o vírus ebola e os casos de infecção estão diminuindo em Serra Leoa. Mas a epidemia ainda é a causa de dezenas de mortes todas as semanas na Guiné. Além disso, as consequências do surto epidêmico serão desastrosas para as economias dos três países mais afetados pela doença, com um custo de pelo menos US$ 1,6 bilhão por prejudicar o crescimento econômico este ano, segundo o Banco Mundial.

Embora no auge do surto epidêmico alguns epidemiologistas tivessem mencionado casos de milhares de vítimas fatais, a epidemia que atingiu a África Ocidental, a mais grave já registrada, ainda preocupa os órgãos de saúde. Surtos anteriores do vírus ebola mataram dezenas ou centenas de pessoas, não milhares. Esse episódio, portanto, indica que as defesas do mundo contra as epidemias, apesar de terem se fortalecido desde a rápida disseminação da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2002 e 2003, quando houve uma grande mobilização dos órgãos de saúde para combatê-la com eficiência, precisam se fortalecer ainda mais.

A principal medida de prevenção às epidemias é a detecção logo no início, o que significa um controle constante. Infelizmente, só 64 dos 194 membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) têm procedimentos de segurança, laboratórios e sistemas de gestão de banco de dados capazes de atender às exigências do Regulamento Sanitário Internacional. Mas essa situação está mudando. A Etiópia, Ruanda, Uganda e Vietnã adotaram medidas de controle mais rígido de prevenção de epidemias. Os Estados Unidos ajudam 30 países, inclusive os três afetados pela epidemia de ebola, incentivando-os a seguirem o exemplo de outras nações no combate aos surtos epidêmicos e, ao mesmo tempo, auxiliando-os a melhorar a rede de clínicas para atender à população.

Além do controle inicial dos surtos, o mundo precisa ter mecanismos institucionais e tecnológicos mais ágeis para realizar pesquisas e promover programas de saúde pública. A OMS, que demorou a agir no combate ao surto do vírus ebola, é criticada pela lentidão e excesso de burocracia, que dificultam uma reação rápida diante do aparecimento de surtos epidêmicos. Existem projetos de criar uma organização internacional especializada na prevenção de epidemias. Bill Gates, cuja Fundação Bill e Melinda Gates realiza um trabalho extraordinário de controle de doenças em países de baixa renda, é um grande incentivador dessa ideia.

Fontes:
The Economist - Pandemic disease: Never again

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