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Imigração na Europa

Deixe os imigrantes entrarem, diz artigo do New York Times

Esta é a opinião de Philippe Legrain, um conselheiro econômico do presidente da Comissão Europeia de 2011 a 2014

Deixe os imigrantes entrarem, diz artigo do New York Times
O maior benefício de todos, é que o Mar Mediterrâneo já não seria uma sepultura (Foto: Wikipedia)

Milhares de pessoas se afogam tentando chegar à Europa. Ao negar a pessoas desesperadas a oportunidade de cruzar fronteiras legalmente, os governos europeus estão as conduzindo ao risco de morte. Esta é a opinião de Philippe Legrain, um conselheiro econômico do presidente da Comissão Europeia de 2011 a 2014, em um artigo publicado no New York Times.

E se a Europa ou os Estados Unidos tivessem uma abordagem diferente de permitir que as pessoas pudessem ir e vir livremente? Os defensores da política de “fortaleza europeia” são inflexíveis: se a Europa abandonar os  controles de imigração, ela seria inundada com estrangeiros e suas economias e sociedades entrariam em colapso. É um medo profundamente enraizado, como se os imigrantes fossem bárbaros nos portões.

Mas a maioria das pessoas não quer sair de casa de jeito nenhum, muito menos para sempre, e muitas pessoas não conseguem. Aqueles que o fazem não querem ir para o mesmo lugar. Segundo o autor, essas pessoas estão longe de ser um fardo para a sociedade, e muito menos de ser um exército invasor, já que eles têm muito a contribuir.

As enormes dívidas da Europa, o fraco investimento e o declínio demográfico estão criando temores de estagnação a longo prazo. O aumento da imigração poderia ser a força que um velho continente precisa para as próximas décadas. Sem a imigração, a população em idade de trabalho da União Europeia deverá cair de 336 milhões, em 2010, para 300 milhões, em 2030. Enquanto isso, o número de pessoas com 65 anos ou mais deve subir de 87 para 123 milhões durante o mesmo período. Os imigrantes também poderiam contribuir para a aposentadoria da geração de baby-boomers. A prestação de cuidados para os idosos é a área que mais cresce na Europa em relação ao número de empregos.

Estudos realizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico revelam que os imigrantes tendem a ser contribuintes para as finanças públicas. Educados no exterior, eles são geralmente jovens e saudáveis, e improváveis de ser elegíveis para uma pensão, caso eles saiam novamente. Longe de ser uma ameaça para os programas de bem-estar da Europa, o aumento da imigração poderia torná-los mais sustentáveis. Novos contribuintes também podem aliviar o fardo da dívida da população existente. Como a dívida pública por pessoa na União Europeia é de cerca de 25 mil euros (ou US$ 27,7 mil), um aumento de dez por cento na população iria reduzir a dívida por pessoa por cerca de 2.300 euros (US$ 2.550).

Além disso, os imigrantes podem ajudar a acender novas ideias e negócios que iriam levantar os padrões de vida dos europeus. Na Grã-Bretanha, os imigrantes são quase duas vezes mais prováveis de serem empreendedores do que os moradores locais. Como começar um negócio, a imigração é um empreendimento arriscado que precisa de muito trabalho para fazê-lo valer a pena.

O maior benefício de todos, é que o Mar Mediterrâneo já não seria uma sepultura. E as pessoas muito mais pobres do que a população local poderiam desfrutar de um grande salto nos padrões de vida, o que seria bem melhor do que qualquer ajuda externa. Por isso, para o autor, a Europa deve ter a coragem de se abrir.

 

Fontes:
The New York Times-Open Up, Europe! Let Migrants In

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