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O quebra-cabeça da CIA

Demissão de Petraeus pode ter motivos políticos

É provável que o motivo que levou o diretor da CIA a pedir demissão vá além do adultério

Demissão de Petraeus pode ter motivos políticos
Petraeus e Paula Broadwell. Militares tem regras rígidas sobre adultério (Reprodução/New Yorker)

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A demissão de David Petraeus do cargo de chefe da CIA após a descoberta de um caso extraconjugal dois dias depois de uma eleição presidencial em que o papel da agência de inteligência norte-americana na Líbia gerou uma grave polêmica capaz de custar a Barack Obama a  Casa Branca, levanta diversas questões ainda sem resposta. Os aspectos políticos deste caso merecem ser explorados para que se descubra o que realmente aconteceu.

Por que, por exemplo, esta notícia veio a público dois dias após as eleições presidenciais? Tanto o New York Times como o Washington Post informaram que, após meses de investigação, o FBI não encontrou nenhuma violação de conduta por parte de Petraeus ou de sua amante e biógrafa Paula Broadwell.

Funcionários de inteligência do Congresso querem saber por que eles não foram informados anteriormente que o FBI estava investigando Petraeus. Mas, a pergunta mais interessante é por que o assunto foi trazido à atenção de pessoas importantes em primeiro lugar, se o FBI havia de fato havia concluído que Petraeus e sua amante não tinham quebrado nenhuma lei ou ameaçado a segurança de ninguém?

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A investigação teve início quando Jill Kelley, uma militar conhecida de Petraeus, reclamou ser vítima de e-mails ofensivos de Broadwell, que estava ameaçando Kelley por suspeitar que ela também tinha um caso com Petraeus. Ainda não está claro o envolvimento de Petraeus com os e-mails ou com Kelley. Ao saber da investigação duas semanas atrás, Petraeus disse, a princípio, não ter intenção de pedir demissão. Provavelmente, um pedido de demissão somado ao assassinato do diplomata norte-americano na Líbia daria respaldo às críticas republicanas sobre o governo de Obama, o que poderia afetar as eleições presidenciais.

Contudo, um acontecimento sombrio veio em seguida. Um agente do FBI não identificado tomou as rédeas do caso (sem autorização) e entrou em contato com o republicano Dave Reichert, na Câmara dos Representantes. Reichert orientou o agente a procurar o líder republicano na Câmara, Eric Cantor. Segundo Cantor, sua primeira reação foi certificar-se de que o chefe do FBI, Robert Mueller, estava ciente da investigação que poderia colocar em risco a segurança nacional. Como é praticamente impossível que o chefe do FBI não estivesse a par dos acontecimentos dentro de sua equipe, não se sabe o verdadeiro motivo do contato entre Reichert e Mueller. Cantor também enviou um comunicado ao New York Times confirmando que havia sido procurado por um “informante” do FBI que estava preocupado com a “vulnerabilidade de informações sensíveis”. Mas qual era o verdadeiro objetivo deste informante do FBI? Ajudar os republicanos a vencer as eleições? Vingar-se de Petraeus por considerar sua exoneração uma injustiça?

Durante o período entre a descoberta do caso e as eleições, Petraeus passou a ser pressionado, resistindo apenas para preservar Obama. Mueller, o chefe do FBI, famoso por sua integridade, resolveu manter o assunto em sigilo, talvez para evitar que ele fosse explorado politicamente durante a campanha presidencial. Também não se sabe porque Cantor optou pelo silêncio diante da boa oportunidade para o partido republicano. É possível que, na medida em que a investigação tinha implicações para a segurança nacional, aqueles que conheciam os fatos precisaram ter cuidado para evitar qualquer infração grave.

A pergunta final é por que Petraus pediu demissão? Entre militares existem rígidas regras sobre adultério, mas na vida civil, deve haver? O coro que foi repetido em diversos programas de TV matinais no fim de semana é que o caso extraconjugal de Petraeus poderia sujeitá-lo a chantagem por parte dos inimigos do país, pondo em risco a segurança nacional. Para muitos norte-americanos, Petraeus teve a postura “honrosa” e “correta” ao pedir demissão. Mas, para outros, foi um exagero e o jogo da vergonha vitoriana parece ultrapassado. Tendo em vista que metade dos casamentos hoje em dia termina em divórcio, muitos dos quais por motivos de traição, e que Petraeus não cometeu nenhum crime, porque levar a questão adiante? Fãs de suspense estão ávidos por mais respostas.

Fontes:
The New Yorker-A Petraeus Puzzle: Were Politics Involved?

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