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CORRIDA ESPACIAL

Depois do carro, irão os motoristas ao espaço?

Décadas depois da velha corrida espacial, a política, a nova parece ter mudado de patamar com o lançamento nesta semana do superfoguete Falcon Heavy

Depois do carro, irão os motoristas ao espaço?
O lançamento do Falcon Heavy, da SpaceX, reuniu milhares de pessoas na base de Cabo Canaveral (Foto: Flickr/SpaceX)

Até poucos dias atrás o título de foguete mais potente já lançado ao espaço sideral (pelo menos daqui da Terra) era dos Saturn 5, como o que levou o homem à Lua. Na última terça-feira, 6, o espetacular lançamento do superfoguete Falcon Heavy, da companhia SpaceX, reuniu milhares de pessoas na base de Cabo Canaveral, na Flórida, naquele que teve toda pinta de primeiro megaevento da nova corrida espacial, a empresarial, que parece ter engrenado de vez uma quinta com o início de uma viagem não do homem, mas de um carro, e não à Lua, mas à Marte, justamente a reboque do Falcon Heavy.

O primeiro carro a rodar fora do planeta não foi um Volkswagen Space Fox, mas sim um Tesla Roadster, pilotado por um boneco batizado, sem muita originalidade, de Starman. A midiática, emblemática, promocional missão do homem das estrelas da Tesla era levar o carro vermelho até o planeta vermelho onde, no imaginário coletivo, por definição moram nossos vizinhos de sistema solar. Era, porque o Starman aparentemente errou o trajeto e o Tesla Roadster espacial parece a estar a caminho de se espatifar contra um cinturão de asteroides.

Nada que arrefeça o ânimo do dono da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, que parece intuir que com Marte, ou sem Marte, nada nem ninguém poderá lhe tirar a primazia de ter colocado no espaço o maior símbolo da sociedade industrial de consumo, abrindo caminho, quem sabe, e ainda que de maneira apenas simbólica, para a vida humana fora da terra tal e qual ela se configurou até aqui em nosso planeta natal: “Esse projeto abre uma nova classe de transporte de carga. Podemos levar coisas para Plutão”, disse Musk após o sucesso do lançamento do Falcon Heavy, acrescentando que a SpaceX já tem uma “lista de clientes” para o superfoguete.

Passagem de US$ 250 mil

Em fevereiro do ano passado, a SpaceX anunciou que poderia levar duas pessoas em uma trip turística na órbita da Lua, quase 50 anos depois que uma Saturn V levou astronautas americanos ao satélite terrestre, no mais icônico capítulo de uma outra corrida espacial, a política, que parece ter mesmo ficado para trás. Nesta semana, na sequência do lançamento do Falcon Heavy, Elon Musk garantiu que a “prioridade absoluta” da SpaceX, agora, é levar uma tripulação não de bonecos de borracha, mas de gente de verdade, para a órbita da Terra até o final de 2018.

Há concorrência, e de peso: Jeff Bezos, dono da Amazon e da Blue Origin. Com a Amazon, tornou-se o homem mais rico do mundo. Com a Blue Origin, está investindo o dinheiro que ganhou com a Amazon na corrida espacial do XXI, que ele enxerga como uma “tendência”, por assim dizer, semelhante à que foi, à que é a internet. Em suma, uma mina de ouro. Bezos investe cerca de US$ 1 bilhão por ano na Blue Origin, por meio da qual espera impulsionar não apenas o ramo do turismo espacial, mas também a criação de colônias na órbita da Terra, ambição que ele intenta começar a pôr em prática até 2020 – curtos dois anos logo à frente.

O terceiro protagonista da nova corrida espacial chama-se Richard Branson, o bilionário britânico fundador da Virgin Galactic. Em visita ao Brasil em julho do ano passado, Branson disse que até o final do ano seguinte (esse de 2018, portanto) levaria turistas ao espaço para ver a Terra de cima e para “experimentar o fenômeno da gravidade como astronautas”. Branson chegou a adiantar mesmo o preço da passagem: US$ 250 mil. Mas que não se espantem os terráqueos mortais. Ele garantiu que, no futuro, os preços serão mais populares.

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