Início » Internacional » Deputado da oposição é preso na Venezuela
SUPOSTO ATENTADO

Deputado da oposição é preso na Venezuela

Juan Requesens foi acusado por Nicolás Maduro de ter participado do suposto atentado contra a sua vida

Deputado da oposição é preso na Venezuela
Prisão aumenta temor da oposição com um possível aumento de repressão (Foto: Julio Requesens/Twitter)

O governo da Venezuela prendeu, na noite da última terça-feira, 7, o deputado da oposição Juan Requesens, do partido Primero Justicia, de centro-direita, e sua irmã Rafaela Requesens, presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela. Rafaela foi liberada horas depois, enquanto Juan segue em custódia.

De acordo com o partido, Juan Requesens é acusado pelo presidente Nicolás Maduro de ser um dos responsáveis pelo suposto atentado contra a sua vida, ocorrido no último sábado, 4. Segundo o Primero Justicia, agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) foram os responsáveis pela prisão do deputado.

Contrário às palavras de Maduro, o Primero Justicia, categoriza a acusação como infundada. “Eles [governo] não conseguirão nos intimidar e hoje, mais do que nunca, estamos determinados a derrotar a ditadura”, garante a legenda. O deputado é um dos líderes mais ativos da oposição, tendo sido um dos principais responsáveis pelos protestos contra Maduro em 2017.

Na manhã desta quarta-feira, 8, Rafaela Requesens se posicionou sobre a prisão pelas redes sociais. Segundo a irmã do deputado, “o único que deveria ser preso é Nicolás Maduro”. Além disso, apontou Juan Requesens como “um lutador venezuelano”, não um criminoso. Pelas redes sociais, os opositores à prisão do deputado usam a hashtag “LiberenARequesens” para pedir liberdade ao político.

Além de atribuir a responsabilidade a Requesens, chamando-o de psicopata, Maduro também acusou o ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges, fora da Venezuela desde o último mês de fevereiro e atualmente vivendo em Bogotá, na Colômbia, de também ter participado do suposto atentado. Julio Borges, por sua vez, respondeu às acusações do presidente venezuelano em uma série de postagens nas redes sociais.

Nicolás Maduro, você me acusou da guerra econômica, a crise de caixa, a hiperinflação, a escassez generalizada, do comércio de escravos branco. E agora da farsa do ataque? Não engane ninguém. Você é o único culpado pela tragédia do país”, rebateu Julio Borges.

Ademais, Julio Borges também usou o Twitter para denunciar a perseguição que a oposição segue pelo governo de Nicolás Maduro, categorizando a prisão do deputado Juan Requesens como uma “grande covardia”. Por fim, ainda mostrou desconfiança sobre o suposto atentado, afirmando que é apenas uma farsa para aumentar a repressão contra a oposição.

Nicolás Maduro você é o culpado da estrada da destruição que andamos, não procure mais responsáveis. O abuso contra Juan Requesens é inaceitável e outra grande covardia da ditadura que você leva. […] Nem o país e nem o mundo acreditam em você sobre a farsa do ataque, todos nós sabemos que é uma montagem para perseguir e condenar aqueles que se opõem à sua ditadura. Você enterrou a Constituição”, denunciou Julio Borges.

Provas do atentado

Segundo a Agência Brasil, o governo venezuelano divulgou vídeos apontando que foram oferecidos US$ 50 milhões e estadia nos Estados Unidos para que fosse realizado o atentado contra a vida de Nicolás Maduro. Os autores do atentado teriam recebido treinamento em uma fazenda na Colômbia.

“Nestas horas que passei ainda continuo surpreso com tudo o que vamos descobrindo, da intervenção da oligarquia colombiana e da transferência de métodos fascistas pelas mãos de importantes dirigentes políticos da oposição”, afirmou Maduro, segundo noticiou o El País. De acordo com Maduro, o grupo teria ligação com o coronel Juan Caguaripano, que comandou um roubo de armas no forte militar de Paramacay, na Venezuela, em 2017.

Maduro chamou a suposta operação, que tinha como objetivo “assassinar a todos”, de “Operação Bigorna-Martelo”. Ainda durante o seu pronunciamento, o presidente venezuelano divulgou áudios de comunicação entre os envolvidos no suposto atentado. Uma mulher, que está entre os detidos, apareceria nas mensagens orientando o ataque.

Mais uma vez, Maduro envolveu o, agora, ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos no ataque, afirmando que o país “tem que limpar todas essas pragas que vêm da Colômbia”. Ademais, solicitou que Bogotá e Washington entre outros envolvidos no atentado que estariam exilados, principalmente Osman Delgado Tabosky, que vive na Flórida, nos EUA, e seria o principal organizador e financiador do atentado.

Desconfiança com o ataque

O ataque ainda é visto com desconfiança, pois, no passado, o governo venezuelano já teria encenado falsos atentados contra Maduro para reprimir a oposição com mais força. A prisão do deputado Juan Requesens, grande crítico ao governo de Maduro, e as acusações contra Julio Borges aumentam o temor da oposição.

 

Leia também: Iván Duque assume presidência da Colômbia
Leia também: Venezuela prende seis pessoas por atentado contra Maduro

Fontes:
Folha de São Paulo-Deputado opositor acusado por Maduro de suposto ataque é preso na Venezuela
El País-Maduro apresenta provas do atentado e endurece seu discurso contra a Colômbia

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *