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O desafio do vice de Trump

Em visita à América Latina, Mike Pence teve que lidar com uma situação embaraçosa depois da ameaça de Donald Trump de intervir na Venezuela

O desafio do vice de Trump
Pence mostrou sua capacidade de ser um intérprete diplomático de Trump (Foto: Gage Skidmore)

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Se Mike Pence não tivesse sido eleito vice-presidente, teria sucesso em um cargo diplomático. Quando viaja para o exterior em nome do presidente Donald Trump, Pence transmite a imagem de um homem leal, que tem um acesso privilegiado ao presidente. “Como o presidente me disse de manhã” é uma de suas frases favoritas, repetida várias vezes no domingo, quando começou uma visita a quatro países da América Latina.

Porém, além das habilidades diplomáticas, o vice-presidente tem a capacidade de polir e reinterpretar as palavras presidenciais com uma convicção tão profunda, que parece indelicado e até mesmo absurdo duvidar de sua versão.

Pence mostrou essa capacidade de ser um intérprete diplomático de Trump em uma coletiva de imprensa na antiga cidade portuária de Cartagena. Ao lado de seu anfitrião, o presidente Juan Manuel Santos da Colômbia, o vice-presidente sabia que iria enfrentar perguntas sobre a frase bombástica de Trump que não descartava uma “possível intervenção militar” na Venezuela.

O comentário de Trump pôs muitas pessoas em uma posição embaraçosa, como no caso do presidente Santos. Depois de negociar um acordo de paz com as Farc, o presidente colombiano tenta combater o problema crônico do tráfico de cocaína e melhorar as condições de vida nas regiões rurais pobres e, por isso, precisa da cooperação dos EUA.Ele também quer incentivar a parceria comercial entre os dois países, com a abertura do mercado americano para a exportação de abacates da empresa Hass Colombia.

Mas antes que o primeiro jornalista fizesse uma pergunta, Santos, de pé em frente aos belos muros de pedra coral da Casa de Huéspedes Ilustres, um forte do século XVII transformado em casa de hóspedes do governo, disse que nenhum país da América Latina aceitaria uma intervenção militar na Venezuela. Ao lhe perguntarem se as palavras de Trump lembravam episódios desagradáveis de intervenções dos EUA em países latino-americanos, Santos respondeu que “os fantasmas das intervenções americanas na América Latina desapareceram há muito tempo e não queremos que reapareçam”.

Diante de uma situação tão constrangedora, Pence, com seu talento diplomático, disse que o presidente Trump o havia enviado à América Latina para transmitir seu “apoio” em encontrar uma solução pacífica para a crise venezuelana. O presidente Donald Trump, acrescentou, “não pode ficar de braços cruzados enquanto uma nação mergulha em um regime ditatorial violento”. Sem dúvida, um eufemismo muito hábil para contornar a declaração infeliz de Trump.

Mike Pence é um homem extremamente disciplinado e tem uma habilidade invejável para esconder qualquer constrangimento imposto por seu cargo de representante de um presidente tão imprevisível como Donald Trump. Se, por algum motivo, não for bem-sucedido na política, Pence desempenharia um papel impecável como embaixador de seu país.

 

Fontes:
The Economist-Mike Pence, ambassador to a sceptical world

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