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COMPANHIAS AÉREAS

Deve-se cobrar pelo uso de banheiros nos aviões?

Um congressista democrata dos Estados Unidos defende a proibição das companhias aéreas de cobrarem o acesso aos toaletes a bordo

Deve-se cobrar pelo uso de banheiros nos aviões?
A ideia de cobrar pelo uso dos banheiros a bordo foi sugerida pela primeira vez em 2010 por Michael O’Leary, diretor da Ryanair (Fonte: Reprodução/Alamy)

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Primeiro, as companhias aéreas diminuíram o espaço das pernas nos assentos dos aviões. Em seguida, o embarque de bagagens e os serviços de refeições, bebidas e entretenimento aos passageiros começaram a ser cobrados. O que mais pode acontecer?

Nenhuma tendência na aviação progrediu com mais regularidade nos últimos anos, com a consequente reclamação dos passageiros, do que a cobrança pelas companhias aéreas de serviços antes gratuitos. A reserva de uma poltrona na fila da saída de emergência era uma estratégia inteligente; agora tem um custo adicional.

O embarque de bagagens sem custo era uma norma nas companhias aéreas. Com a mudança de regra, as pessoas procuram levar só malas de mão. Agora às vezes essas malas também têm um custo, ou o passageiro tem a alternativa de usar uma definição ambígua para “item pessoal”. Atualmente, dependendo da companhia aérea, as refeições, sanduíches, bebidas, filmes, fones de ouvido e até mesmo a água podem ser cobrados. Mas o uso do banheiro? Por enquanto ainda é gratuito.

As companhias aéreas têm um bom argumento para justificar a cobrança de serviços, ou seja, custam caro. É razoável pensar que os passageiros compartilhem o custo do combustível do avião, do pagamento dos pilotos, dos comissários de bordo e das taxas dos aeroportos, entre outros custos. Mas não faz sentido a cobrança do custo da manutenção do porão de bagagens, da compra de entretenimento ou de refeições. É possível pensar na opção de cobrar os serviços a bordo apenas dos passageiros que os usam, assim como se paga uma refeição em um restaurante, ou os pedágios e impostos de combustíveis para custear a manutenção das estradas. Seria constrangedor, sem dúvida, mas pelo menos em teoria manteria as tarifas básicas para passageiros, que não precisam de serviços adicionais.

A ideia de cobrar pelo uso dos banheiros a bordo foi sugerida pela primeira vez em 2010 por Michael O’Leary, diretor da Ryanair, a segunda maior companhia aérea da Europa. Na ocasião, a companhia pensou em instalar um sistema de cobrança de moedas nas portas dos toaletes, com o custo de £ 1 (US$ 1,50) ou € 1 (US$ 1,09) por cada acesso. A proposta não só seria uma forma de aumentar a renda da companhia, como também incentivaria os passageiros a usarem os banheiros dos aeroportos antes e depois da viagem.

Como um porta-voz da companhia disse ao Daily Mail na época: “Com a cobrança do uso dos toaletes seria possível mudar o comportamento dos passageiros, que se acostumariam a usar os banheiros dos aeroportos. Com isso, poderíamos eliminar dois ou três toaletes e colocar pelo menos seis assentos extras no avião.”

O plano fracassou em meio a inúmeras críticas, mas para evitar que essa cobrança se torne realidade, Dan Lipinski, um congressista democrata de Illinois, apresentou o projeto de lei Comfortable and Fair Flights Act of 2015 na segunda semana de dezembro no Congresso dos EUA. “Como as taxas adicionais continuam a aumentar”, disse Lipinski em um comunicado que acompanhou o projeto de lei, “a cobrança do uso dos banheiros a bordo ainda é uma possibilidade real desde que foi sugerida em 2010”.

Fontes:
The Economist - A congressman is seeking to ban airlines from charging for the loo

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