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70 ANOS DE CRIAÇÃO

Dia de celebração e tensão em Israel

Estado de Israel completa 70 anos em meio a protestos com 52 palestinos mortos na Faixa de Gaza e inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém

Dia de celebração e tensão em Israel
A fundação de Israel era tida como uma vitória após anos de luta e perseguição aos judeus (Foto: AP)

O Estado de Israel completa 70 anos de existência nesta segunda-feira, 14. Embora a celebração oficial da data seja no dia 18 de abril, por conta do calendário hebraico, foi em 14 de maio de 1948 que o líder do movimento sionista socialista David Ben Gurion leu a Declaração de Independência de Israel em uma cerimônia no Moetzet HaAm (conselho do povo, em tradução livre), uma espécie de parlamento improvisado na época, tornado-se o primeiro a assumir o cargo de primeiro-ministro de Israel.

Na época, a fundação de Israel era tida como uma vitória após anos de luta e perseguição aos judeus. O plano original previa a partilha do território entre judeus e palestinos. No entanto, a fundação de Israel deixou outros povos contrariados. Isso porque a região da Palestina naquela época era ocupada majoritariamente por muçulmanos e comunidades árabes. E em resposta à fundação de Israel, Egito, Jordânia, Síria e Iraque invadiram territórios no que se tornou a primeira guerra árabe israelense, conhecida pelos judeus como “Guerra da Independência”.

A vitória de Israel reduziu pela metade o território previsto originalmente para um Estado árabe e resultou na expulsão pelas tropas israelenses de cerca de 700 mil pessoas que viviam na região. Não à toa, os palestinos chamam o dia seguinte à fundação de Israel de “Nakba”, a catástrofe.

Nos anos que se seguiram, Israel e seus vizinhos tornaram a se enfrentar. Em 1967, Israel venceu a chamada Guerra dos Seis Dias contra uma coalizão árabe e ocupou a Faixa da Gaza e a Península do Sinai, ambos controlados pelo Egito, além da Cisjordânia (da Jordânia); e as Colinas de Golã (Síria). Posteriormente, Israel implantou uma política de assentamentos judeus em territórios palestinos que foi condenada pela ONU e complicou as negociações de paz na região.

Atualmente, são territórios palestinos a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, que foi desocupada por Israel em 2005, mas é alvo de um bloqueio onde Israel controla a fronteira e o abastecimento de produtos básicos, como remédios e comida. Com 40 quilômetros de extensão e uma população de 1,7 milhão, a Faixa de Gaza é superlotada e marcada por condições precárias de vida.

Passados 70 anos, a atual onda violenta de protestos na Faixa de Gaza deixa claro que a disputa na região está longe do fim. Nesta segunda-feira, segundo informações do New York Times, pelo menos 52 palestinos morreram e cerca de 2,4 mil ficaram feridos no penúltimo dia da onda de protestos batizada de “A Grande Marcha do Retorno”.

As manifestações tiveram início em 30 de março e estão previstas para encerrar na próxima terça-feira, 15. Ambas as datas são simbólicas. O dia 30 de março é celebrado em memória de seis árabes israelenses mortos em 1976, durante um protesto contra o confisco de terras. Já em dia 15 de maio celebra-se o Nakba.

Jogando ainda mais gasolina no conflito, foi inaugurada na manhã desta segunda-feira a sede da embaixada dos EUA em Jerusalém, em uma cerimônia liderada por Ivanka Trump, filha e conselheira de Donald Trump. A medida consolida a mudança do órgão diplomático de Tel Aviv para a cidade, anunciada em 6 de dezembro, por Donald Trump.

A medida anunciada por Trump remete ao Embassy Act, que previa a mudança e foi aprovado em 1995 pelo Congresso americano. No entanto, todos os presidentes americanos se recusaram a assinar o ato, que, na prática, reconhece a soberania de Israel sobre Jerusalém, cidade considerada sagrada para as três maiores religiões monoteístas (islamismo, cristianismo e judaísmo) e reivindicada como capital por Israel e pela Palestina.

A ação de Trump elevou a tensão regional no Oriente Médio e gerou dúvidas sobre a capacidade dos EUA de participar das negociações de paz entre judeus e palestinos.

Condenada pela comunidade internacional, a transferência da embaixada ameaça estimular o avanço do antissemitismo observado no mundo e consolida entre palestinos a sensação de que o sonho um Estado próprio acabou, como explica o jurista Daniel Seidemann, em entrevista à agência de notícias alemã Deutsche Welle.

“A transferência da embaixada também tem ramificações abrangentes para os palestinos. Ela envia uma mensagem inequívoca: ‘Abandonem toda esperança, este conflito não está se movendo em direção a uma solução’”, diz Seidemann.

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