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POLÍTICA

A difícil missão de Cyril Ramaphosa na África do Sul

Ramaphosa precisará reverter o cenário de instabilidade política, corrupção generalizada e crise econômica do legado de Zuma

A difícil missão de Cyril Ramaphosa na África do Sul
Segundo a previsão do orçamento, a dívida pública deve aumentar para 56% do PIB em 2023 (Foto: Flickr)

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novo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, tem uma tarefa árdua à sua frente para reorganizar a situação econômica e política do país. Durante o governo de Jacob Zuma, obrigado a renunciar em 14 de fevereiro, a corrupção aumentou, a lei foi desrespeitada e os investidores desapareceram. A taxa de desemprego, incluindo os trabalhadores que perderam a esperança de encontrar emprego, é de 36%.

Segundo a previsão do orçamento divulgado pelo governo em 21 de fevereiro, a dívida pública deverá aumentar para o equivalente a 56% do PIB em 2023, um aumento considerável em comparação com 26% do PIB em 2009, quando Zuma assumiu a presidência. O crescimento econômico de 5% em média nos cinco anos anteriores ao governo de Zuma reduziu-se a 1,5%.

A situação das escolas e da saúde pública é caótica e a escassez de água na Cidade do Cabo está se agravando. Ramaphosa precisa agir rápido para restaurar o estado de direito, reconquistar a confiança dos investidores e melhorar a qualidade dos serviços públicos. A primeira providência é a contratação de profissionais capazes e honestos.

Zuma escolheu seus assessores e ministros não pela honestidade e competência, e sim pela lealdade deles. Não era exigido um caráter íntegro e ético nem para os responsáveis pela aplicação da lei. O procurador-geral do país mentiu sob juramento. O diretor de um órgão da polícia encarregado de combater a corrupção foi nomeado apesar de ter sido acusado de desonestidade por um juiz. Ao escolher os diretores de empresas estatais, Zuma seguiu os conselhos dos irmãos Gupta, acusados de explorar a amizade com o presidente em benefício de seus negócios escusos.

O sucesso de Ramaphosa depende da demissão de pessoas corruptas e incompetentes que ocupam cargos importantes no governo. Mas alguns o aconselham a ter cautela. Ele derrotou por uma pequena margem de votos os partidários de Zuma no Congresso Nacional Africano (CNA). Uma mudança rápida demais da equipe nomeada por Zuma poderia dar a impressão de um expurgo de seus inimigos, além de causar uma divisão no CNA.

Porém, a reforma do governo é urgente. O país não conseguirá se reerguer sem esse expurgo dos funcionários nomeados por Zuma. Existem muitos profissionais qualificados na África do Sul, que gostariam de colaborar com Ramaphosa na reestruturação do país. Se os aliados de Zuma forem tratados com firmeza e imparcialidade, o novo presidente estará mostrando que o poder público pauta suas ações em estrito cumprimento da ordem jurídica e dos princípios éticos. Uma ação condizente com as reformas estruturais que o país precisa.

Fontes:
The Economist - To fix South Africa, Cyril Ramaphosa should be bold

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