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A dificuldade de admitir um erro

Estudo revela a tendência do ser humano de buscar justificativas ilusórias, em vez de encarar os fatos

A dificuldade de admitir um erro
Com frequência, as pessoas são induzidas a adotar um “raciocínio motivado” para confirmar suas crenças e opiniões (Foto: Flickr)

Errar é humano, mas poucos gostam da sensação de serem julgados ou criticados por cometerem erros ou por terem uma percepção errônea da realidade. Porém, essa dificuldade de lidar com os próprios erros acentua-se quando, para evitar uma avaliação, uma pessoa recusa-se a aceitar fatos que evidenciam seus erros. Ou quando ignora informações que estão em conflito com sua visão do mundo e com suas crenças.

Por que as pessoas reagem dessa forma? Em 2016, Roland Bénabou, da Universidade de Princeton e Jean Tirole, da Toulouse School of Economics, apresentaram um estudo no qual analisaram a dificuldade de encarar fatos e ideias de um ponto de vista racional. As crenças religiosas, políticas e morais, entre outras, fazem parte da identidade de uma pessoa. Porém, como as crenças apresentam uma visão subjetiva de algo certo ou verdadeiro, as novas informações que as contestam não são bem-vindas.

Com frequência, as pessoas em vez de escolherem estratégias racionais para chegar à verdade, são induzidas a adotar um “raciocínio motivado” para confirmar suas crenças e opiniões. Bénabou classifica esse tipo de raciocínio em três categorias. Na “ignorância estratégica” as pessoas evitam informações que contradizem suas verdades. Na “negação da realidade” as pessoas podem até inventar conspirações ou culpar notícias falsas com a intenção de derrubar seus mitos e crenças. Por fim, na “autossugestão”, elas criam mecanismos para interpretar os fatos da maneira que desejam.

Nem todos os erros induzidos pelo raciocínio motivado têm consequências graves. No entanto, esse raciocínio, que envolve uma busca seletiva de dados e regras que embasem a conclusão desejada, pode criar uma polarização perigosa na qual não há espaço para opiniões contrárias e em que a visão estreita e intransigente do mundo se impõe.

Fontes:
The Economist-To err is human; so is the failure to admit it

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3 Opiniões

  1. Carlos Valoir Simões disse:

    Filosofar é difícil…
    O “fato” só existe no momento da ação e para quem é o observador, fora disso é apenas “versão”. E toda crença, seja religiosa, política ou moral parte de uma escolha racional.

  2. Jean disse:

    A percepção errônea da realidade em todas as situações geram gravíssimos erros e consequências, o texto se refere que nem todos os erros induzidos pelo raciocínio motivado têm consequências graves, isso é um assassinato da lógica! Tudo tem consequência mesmo sendo mínima quando não se aceita ou cria situações de não aceitação de ter cometido ou se omitido a um erro!

  3. laercio disse:

    Por natureza o ser humano não busca justificativa ilusória!
    Nascemos sendo enganados e em sua grande maioria intimidado por situações financeiras e politicas; digo políticas porque tanto muitos dos governos como religiões se aproveitam para fazer uso da população e não de auxiliar, que seria congruente com sua finalidade.
    No fim do ciclo temos milhões de adultos inseguros e criando os filhos de qualquer forma gerando insegurança e instinto agressivo semente aos irracionais.
    As “religiões e governos” são os maiores “assassinos” de corpos vivos porque milhões de pessoas já se sentem mortas, apenas mantém seus corpos de pé!

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