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Dinamarca rejeita nove em cada dez refugiados

Roskilde, Dinamarca – Um quarto de cerca de 16 metros quadrados. Uma família de seis pessoas. Pouco dinheiro para comprar comida. Liberdades limitadas. Assim vive a família de Helin Gargari, uma jovem curda de 19 anos que mora no Centro de Deportação de Avnstrup, a 40 minutos de Roskilde, na Dinamarca. Longe de tudo, Helin, seus pais, e quatro de seus cinco irmãos se sentem como se estivessem presos.

Para sair daqui preciso pegar um cartão. É somente com ele que posso retornar. Quando alguém aqui sai do centro e perde o cartão, o vigia da porta pergunta se queremos dormir do lado de fora. É assustador.

A família de Helin veio para a Dinamarca há oito anos. Ameaçado de morte pelo regime de Saddam Hussein no Iraque, o pai de Helin, Rashid Gargari, decidiu buscar asilo político em outro país.

Quando decidimos fugir, não tínhamos a menor idéia de para onde estávamos indo. Pagamos um homem que disse que ia nos ajudar. Ele fez os passaportes e nos colocou no avião dizendo que estávamos indo para um país europeu, mas que ele não podia dizer qual – explica Helin.

Assim como muitos exilados que vieram para cá, a família de Helin teve que enfrentar a burocracia do Serviço de Imigração Dinamarquês. Na época, eles ainda não sabiam que a Dinamarca rejeita nove a cada dez pedidos de asilo.

Tentando contornar a burocracia Dinamarquesa

Ao chegar no aeroporto, a família de Helin, assim como todos os que imigram ilegalmente, foi interrogada pela polícia. Segundo informações publicadas na página da web do ministério de Refugiados, Imigração e Integração (The Ministry of Refugee, Immigration and Integration Affairs), o objetivo da entrevista inicial é entender como a pessoa chegou na Dinamarca. O site deixa bem claro que, nesse momento, a polícia não está preocupada com os motivos pelos quais a pessoa procura asilo.

Depois do interrogatório, Helin, seus pais e naquela época três irmãos, receberam abrigo no centro de recepção de Sandholm, ao norte de Copenhagem, onde ficam todas as famílias que já se registraram junto ao Serviço de Imigração Dinamarquês e esperam resultado do pedido de asilo político.

Contornar a burocracia do país que, segundo o New York Times, tem as mais duras leis de imigração do continente europeu não é uma tarefa fácil. Helin explica que a pessoa que deseja asilo político na Dinamarca tem de preencher um formulário especial, no qual explica as razões pelas quais busca asilo e como foi que conseguiu chegar aqui. Depois disso, há ainda uma entrevista no Serviço de Imigração Dinamarquês que tem como objetivo confirmar as informações preenchidas no formulário.

Durante a entrevista, eles tentam de todas as formas encontrar alguma contradição entre o que você escreveu em seu formulário e o que você diz. Na verdade tudo o que eles querem é um motivo para negar o pedido – explica Rashid, pai de Helin.

Segundo estatísticas do ministério de Refugiados, Imigração e Integração, o processamento do pedido de asilo político leva pouco mais de três meses, mas sabe-se que uma vez negado o pedido, a pessoa que busca asilo pode recorrer ao Conselho de Refugiados (Refugee Board), que então expedirá a decisão final.

O caso da família de Helin

A família de Helin não conseguiu visto de permanência na Dinamarca e por isso mora hoje em Avnstrup, um dos dois centros de deportação existentes no país. Apesar disso, as leis Dinamarquesas não permitem a deportação forçada nem da família de Helin, nem das mais de 600 famílias que vivem atualmente nos centros de deportação. O Serviço de Imigração Dinamarquês explica que para que a deportação aconteça, o refugiado precisa colaborar com a polícia apresentando os documentos necessários, o que não acontece na maioria dos casos.

Toda semana temos que nos apresentar na polícia para responder a mesma pergunta. Eles nos pedem para colaborar e assinar os papéis necessários para nossa deportação. É claro que nunca vamos assinar isso. Se voltarmos para o Iraque meu pai vai ser assassinado – argumenta Helin.

Helin e sua família – foto de Maren Olsen

Quando perguntada se ela não tem medo de viver para sempre no centro de deportação com sua família, Helin demonstra a esperança que somente alguém da sua idade pode ter. Ela diz acreditar que um dia os dinamarqueses vão perceber o quanto o governo atual é ignorante e xenofóbico e a situação deles vai mudar.

Os pais de Helin já demonstram sinais de cansaço. Ambos recebem ajuda psicológica e tomam tranqüilizantes duas vezes ao dia. Rashid explica que na cultura curda, o pai é o responsável por dar conforto e bem estar à família e que na Dinamarca ele se sente inútil por não poder fazer nada.

O homem foi feito para trabalhar. Ficar preso nesse quarto o dia todo vai me matando aos poucos. Viemos para Europa, pois acreditávamos nas liberdades que a democracia poderia garantir e encontramos uma situação completamente diferente. Não podemos trabalhar, Helin não pode mais ir para e escola, pois já fez 17 anos, não temos dinheiro para comprar nada além de comida – lamenta Rashid.

Atraindo a atenção da mídia

A vida nos centros de deportação, como esse em que a família de Helin vive há três anos, vem atraindo cada vez mais o interesse da mídia dinamarquesa. A jovem explica que sempre recebe jornalistas das mais diversas partes do país e diz acreditar que o trabalho deles pode ajudar a mudar, um dia, a situação de sua família e de muitas outras.

No início deste ano, a cineasta dinamarquesa Maria Mac Dalland lançou um filme que mostra a vida de diversas famílias em Avnstrup. Black at Heart comoveu a audiência ao ser exibido durante o Festival de Cinema Nórdico, que aconteceu em cinco cidades (Aarhus, Oulu, Malmo, Reykjavik e Bergen) em setembro deste ano.

Mac Dalland é mais conhecida na Dinamarca por seu trabalho com animação e filmes infantis. Quando questionada sobre a razão da mudança para o estilo documentário e o porque da escolha do tema, Mac Dalland explica que tendo viajado bastante e morado em outros países do mundo, ela logo percebeu como é horrível a forma como a Dinamarca trata seus imigrantes.

A cineasta explica ainda que, apesar de grande parte dos dinamarqueses saberem da existência desse tipo de centros, a maioria não tem noção das condições às quais os refugiados são submetidos. Segundo ela, como os dez centros existentes são controlados pela Cruz Vermelha, uma organização de direitos humanos, a população acaba acreditando que está tudo bem.

Não dá para entender por que a Cruz Vermelha aqui aceita controlar esses centros terríveis dentro das leis de imigrarão dinamarquesas. É no mínimo contraditório ver uma organização defensora dos direitos humanos sendo responsável pelo controle de lugares como esse – explica a cineasta, que também é integrante do grupo de apoio a Refugiados em Perigo na Dinamarca.

Segundo Helin, o filme de Mac Dalland já começou a mudar a vida das pessoas no centro. Há dois meses eles voltaram a receber dinheiro para comprar sua própria comida e não precisam mais comer na cantina local.

Não precisamos mais comer no restaurante do centro e agora podemos ter comida no quarto. Tenho certeza que foi o filme que fez a situação mudar – diz a Helin de forma otimista.

Nada de muito diferente na Escandinávia

A situação dos refugiados nos outros países escandinavos não é muito diferente. Tanto a Noruega quanto a Suécia possuem centros no mesmo estilo. Contudo, o processo de imigração nesses países parece um pouco menos complicado.

No final de 2005, a Suécia tinha cerca de 30 mil refugiados esperando o resultado do pedido de asilo político, vivendo em condições similares as da família de Helin. Segundo jornal dinamarquês Politikken, a sociedade civil sueca se mobilizou depois que a mídia sueca publicou notícias sobre um enorme número de crianças que viviam em centros para refugiados e ficaram totalmente apáticas. Elas teriam parado de comer e até mesmo de falar. Com o objetivo de pressionar o governo, cerca de 157 mil suecos organizaram um abaixo-assinado.

Sob pressão, o governo passou uma lei que facilitava a imigração para famílias com crianças e que já estavam há muito tempo na Suécia, e para refugiados de países para os quais a deportação não pode ser feita por meio do uso de força, como o Iraque, a Somália e o Afeganistão. A lei ficou em vigor entre de 15 de novembro de 2005 e 31 de março de 2006. Nessa época, a Suécia deu asilo a 17 mil refugiados, aceitando cerca de 60 por cento dos pedidos. O ministro da Imigração da Suécia, Tobias Billstöm, criticou sexta-feira passada outros países da União Européia por não fazerem sua parte em receber mais refugiados.

A situação dos que buscam asilo na Noruega também não é nada fácil. Uma jornalista norueguesa, que prefere não ser identificada, não recebeu permissão de seu editor para escrever sobre a situação dos refugiados na Dinamarca, uma vez que na Noruega não é muito diferente. A temática de refugiados também foi tema do curta-metragem In your Dreams, do cineasta norueguês Thomas A. Ostbye, exibido no Festival de Cinema Nórdico este ano. No filme, Thomas mostra a dificuldade de um refugiado em contactar as autoridades norueguesas. Apesar de todas as dificuldades, Helin revela boas notícias sobre a Noruega.

Ano passado cerca de 200 famílias fugiram de Avnstrup e foram para Noruega para procurar asilo lá. A grande maioria já conseguiu o visto de permanência temporário – explica.

A Dinamarca é atualmente o país que cria mais dificuldades para os refugiados. Os partidos políticos dinamarqueses SF, Enhedslisten e De Radikale querem criar uma lei, parecida com a que foi aprovada na Suécia em 2005, com o objetivo de dar asilo temporário aos refugiados Iraquianos. Contudo, esses partidos não têm representação no governo, fazendo com que a boa idéia seja praticamente uma utopia.

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15 Opiniões

  1. Ascânio Pinto disse:

    Parece crueldade. Por outro lado, qual é a obrigação que um país tem de aceitar estrangeiros e sustentá-los?

  2. Antonio Raul Perez disse:

    As pessoas são pessoas, não são entulho, e deveriam poder circular livremente pelo mundo! Palhaçada esse excesso de controle…

  3. Daniella disse:

    é impressionante…vivem como presos, perigosos e não refugiados…ja sofreram por ter q deixar o país, e ainda têm que aguentar isso…

  4. Tomás disse:

    Se estivessem ainda em sua terra natal, esses exilados estariam todos mortos pelos próprios compatriotas, só porque penteiam a barba para a esquerda ou por uma outra razão ridícula qualquer. Se fosse o inverso, isto é, se por um acaso qualquer um dinamarquês precisasse pedir exílio no Iraque, sua cabeça não duraria em cima dos ombros por mais de um dia. E essa gente ainda se acha no direito de reclamar de maus tratos. A foto cheia de detalhes na matéria mostra bem o conforto das instalações onde eles vivem – Muito melhor que um favelado típico brasileiro, que nem exilado é. A gente chega a conclusão que “fazer o bem sem olhar a quem” é coisa para Jesus Cristo. Aqui é cada um por si, e Deus olhando por todos, mas sem fazer nada.

  5. Soraya disse:

    Ficar preso por oito anos é inumano, não adianta ter televisão e tocador de DVD. Não é uma questão de pobreza, mas de negar essa família a coisa mais preciosa na vida: A sua liberdade. Sim, há pobreza no Brasil, embora isso não significa que outros países – ainda menos uma democracia liberal como a Dinamarca – deveriam maltratar quem foge de guerra e míseria. Se “fazer o bem sem olhar a quem” fosse coisa só para Jesus Cristo, o mundo seria um lugar insuportável.

  6. Felipe lins disse:

    voces tem alguma duvida de que isso é racismo???
    se fossem refugiados alemães,russos ou finlandeses voces acham que eles seriam tratados dessa forma!!!

  7. Paulo disse:

    Primeiro é bom ressaltar que esse artigo é tendencioso e o autor carrega uma agenda consigo.

    Muito comovente a imagem dessa família. Mas antes de criticarem os dinamaqueses, lembrem-se que são os iraquianos aqueles que querem matar os Curdos.

    Imigração somente é boa quando não acontece no seu quintal. Eu gostaria de saber o que africanos e árabes achariam se a cada ano 30 mil loiros e cristãos aparecessem em suas nações e lá permanecessem para sempre. Duvido que a xenofobia não iria aflorar entre eles.

    Racismo? Xenofobia? Dane-se. O povo e a cultura dinarmaquesa são ambos brilhantes e precisam ser preservados. Chegaram onde estão sem árabes e sem mulatos.

    Uma cultura, uma corrente sanguínea não podem ser extintas pelo capricho do multiculturalismo. Os árabes, curdos dentre outros que fiquem no próprio país e arrumem eles mesmos o próprio quarto.

    Abaixo com essa idéia que afirma que pessoas/culturas mestiças são mais bonitas e espiritualmente superiores.

    Por que essa família não imigra para Israel ou Arabia Saudita. Eu tenho certeza que esses judeus e árabes “não”-racistas e espiritualmente superiores vão aceitá-los de braços abertos.

    Olhem para o próprio umbigo, seus hipócritas. Pimenta é refresco nos olhos dos outros.

    Vamos lá, europeus! Imigrem em massa para a índia e chegando lá tenham dez filhos e levem a cultura hindu a extinção plena. Gostaria de ver a cara dos multiculturalistas numa situação dessas.

    Parece que multiculturalismo somente é interessante quando isso envolve europeus e outros.

  8. alex disse:

    Eu vivo na Dianamarca a cerca de 6 anos , a Dinamarca me deu tudo que precisei para comecar a minha vida aqui , para mim , minha mulher e meus dois filhos. Näo sou refugiado , mas a Dinamarca abriga milhares e milhares de estrangeiros pagando mais de 1.000 dólares por mes , ajudando no pagamento do aluguel , e ajudando no que for preciso para uma vida melhor a todos . O caso é que a dinamarca virou um paraíso e a cada dia desembarcavam mais e mais estrangeiros em busca do conforto fácil no qual o povo dinamarques disponibilizava , compra de casamentos para pode ficar etc . Até que esse governo ( que eu nao gosto ) fez uma série de leis e apertou um pouco o cerco . Mas o que a reportagem não falou foi de milhares de estrangeiros que moram a 10 anos aqui e não falam nada em dinamarques , também não falou nos que trabalham no “preto” e recebem do governo , sem falar os que conseguiram ir embora recebendo seus salários todo mes no banco . Tudo tem dois lados e os dois lados sempre devem ser expostos ! Uma coisa eu garanto , milhares de brasileiros gostariam de viver esse desconforto anunciado na matéria , esqueceram de informar que tem casa , dinheiro , água quente , calefacão , medicos etc Será que é tão ruim para quem só desembarcou em algum lugar sem nem saber pra onde foram , viveriam melhor no Brasil ?

  9. Leide disse:

    A Dnamarca trata seus imigrantes täo bem quanto os nativos.Falo isto porque testemunho diariamente o que alguns refugiados fazem.Eles quando veêm pra cá recebem casa,comida,assistencia médica de graca,escolas para seus filhos e dinheiro(pensäo) todo mes da prefeitura para manterem suas familias,e ainda recebem o direito de ir á escola de lingua dinamarquesa gratis.Muitos deles näo trabalham , se enchem de filhos,e ainda reclamam de tudo que recebem. outros pouco väo á escola de linguas e quando väo atrapalham os que realmente querem estudar.Näo säo todos ,mas a grande maioria agem desta forma.O Problema é que as vezes os dirigentes do país näo olham caso á caso e misturam todos.

  10. Ana Furtado disse:

    Isso me faz lembrar da Alemanha durante a segunda Grande guerra…e um pavor que o holocausto um dia se repita…conheco quem em DK, já sei de situacoes iguais a essas.Que a Escandinávia saiba que Hitler näo passou de um retardado mental que acabou com a Alemanha assassinando pessoas.DK acorda!!!

  11. ilaine disse:

    Este artigo é, de fato, muito pobre. Para quem se interessar por maiores informações… e verdadeiras… no que refere à política de integração na Dinamarca, aí vai um endereço:
    http://www.newtodenmark.dk

  12. Joana disse:

    Engraçado a opinião acima. Se o leitor prestar bem atenção logo vai descobrir que o site newtodenmark é o mesmo site do ministério de Refugiados, Imigração e Integração mencionado no artigo.

  13. Paula disse:

    Com certeza é desumano deixá-los “trancados ” por 8 anos , mas de qualquer forma, do lado de dentro ou livres, eles não se integram e não respeitam o país em que vivem agora, sem correr risco de vida!! Falo isto por experiência!!

  14. André Machado disse:

    É uma pena que eles tenham que ser submetidos a esse tipo de situação, mas duvido que tal tratamento lhes fosse imposto se o comportamento de imigrantes (não só na Dinamarca, mas no mundo todo) fosse diferente. Acho que um pré-requisito básico para imigrar é estar disposto a abraçar a cultura e o estilo de vida do lugar pra onde você vai. Os americanos não gostam muito dos latinos, mas como queriam que eles se sentissem com um monte de imigrantes que chegam ao país querendo impôr na base da cotovelada sua língua, seus costumes e, ao invés de tentar se integrar à sociedade, formam comunidades próprias? Sou contra a xenofobia, nazismo e racismo, mas não vamos negar que uma situação como a descrita acima vai além da tolerância da maioria das pessoas.

    Mesmo que os países europeus afrouxem suas legislações no que se refere à imigrantes, acho necessário que o “candidato à cidadania” tenha conhecimento básico do idioma e da cultura do país, deixe claro quais são seus objetivos com o processo e, caso receba ajuda governamental, que seja temporário até que ela consiga um emprego ou alguma outra fonte de renda, dentro de um prazo pré-estabelecido (claro que com a possibilidade de discussão aberta).

  15. renilson souza silva disse:

    é muito complicado ver esta situaçao, até porque a minha é um pouco parecida, sou cidadao brasileiro tenho uma finha de 1 ano dinamarqueza pois a mae dela e dinamarqueza e toda vez que entro em contato com o consulado dinamarques para tentar reconher informaçoes de como e faço para comseguir um visto de residencia para esta ao lado de minha filha e minha namrada, eles falam tanta coisa que acaba confundindo minha cabeça chega ao fim do telefonema ja nao entendo nada, fica ai minha opiniao e o desejo de pedir alguma ajuda juridica no caso pois agora nao tenho condiçoes de pagar um advogado, por favor pesem como pais e maes que sao minha finha dia 14 de julho faz 1 ano e eu so a vi durante duas semanas no sexto mes de vida dela. Com muita fé espero obter uma resposta o mais rapido possivel. obrigado.

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