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Religião

‘Diretora espiritual’ é demitida por fracassar no casamento

Alyce Conlon processou a InterVarsity Christian Fellowship por discriminação

‘Diretora espiritual’ é demitida por fracassar no casamento
Um tribunal federal de apelação rejeitou sua queixa, citando a "exceção religiosa" em casos de discriminação no trabalho(Reprodutção/ Getty Images)

Pessoas que trabalham em organizações religiosas, ou em trabalhos sujeitos ao controle religioso, devem refletir com cuidado sobre as consequências desse envolvimento profissional em suas vidas pessoais. Elas não podem reivindicar o direito à privacidade, que um funcionário de uma organização laica poderia exigir. Essa é a mensagem dos tribunais de ambos os lados do Atlântico.

O caso de Alyce Conlon, uma “diretora espiritual” de uma organização evangélica, que fazia um trabalho de evangelização em campus dos Estados Unidos e tentava convencer os alunos a seguirem uma vida cristã, é um exemplo dessa interferência na vida pessoal. A organização para a qual trabalhava, aInterVarsity Christian Fellowship, proclamava sua crença na “santidade do casamento e pedia a todos os funcionários casados que honrassem seus votos de casamento”.

Em março de 2011, quando Alyce Conlon contou aos seus chefes que estava com dificuldades conjugais, eles lhe deram uma licença inicialmente remunerada, porém depois suspenderam o pagamento, para que tentasse resolver seus problemas com o marido. Ela foi demitida no final do ano por não ter encontrado uma solução para salvar seucasamento. Alyce processou a InterVarsity Christian Fellowship por discriminação, com o argumento que dois colegas do sexo masculino tinham sido tratados com menos rigor, quando seus casamentos haviam fracassado.

No dia 5 de fevereiro um tribunal federal de apelação rejeitou sua queixa, citando a “exceção religiosa” em casos de discriminação no trabalho. Essa decisão inspirou-se no caso Hosanna-Tabor julgado em 2012 pela Suprema Corte dos Estados Unidos, no qual o tribunal decidiu, por unanimidade, que as leis federais de discriminação não se aplicavam à contratação de líderes religiosos por organizações religiosas.

Se o caso de Alyce Conlon tivesse sido julgado na Europa a decisão não teria sido muito diferente. Em2014 a European Court of Human Rights (ECHR) rejeitou a demanda judicial de um professor espanhol aposentado e ex-padre, que fora demitido a pedido da Igreja, porque havia casado e aderira a um movimento a favor de padres casados. Em ambos os casos, os tribunais enfatizaram a “liberdade” de entidades religiosas de agir de acordo com seus princípios.

Fontes:
The Economist-Private lives, public verdicts

2 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Hugo,
    Pacta Sunt Servanda” — se entendi corretamente a citação latina, significa “Pacto (contrato) feito, que se cumpra!”, correto? Não tem a ver com o artigo em si, mas aí está uma boa citação que deveria ser mais lembrada por boa parte da classe política brasileira quando se trata de cumprir o que está na Constituição!…

  2. Hugo Leonardo Filho disse:

    No Brasil não seria diferente, pelo princípio da “Pacta Sunt Servanda”.

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