Início » Internacional » Disputa global por alimentos pode gerar futuros genocídios
Mudanças climáticas

Disputa global por alimentos pode gerar futuros genocídios

Disputa mundial por alimentos e terras produtivas pode ganhar proporções devastadoras à medida que o aquecimento global avança

Disputa global por alimentos pode gerar futuros genocídios
Seca afetou a Mauritânia em 2012. África é vista como uma despensa mundial de alimentos (Foto: Flickr/Oxfam International)

Quando Adolf Hitler iniciou sua campanha de extermínio aos judeus, baseou-se no princípio do Lebensraum. A palavra, que em alemão significa “espaço vital”, foi usada pelo nazismo para classificar a política de expansão que garantiria as terras necessárias para produzir alimentos vitais para a população alemã.

O genocídio de Ruanda, ocorrido em 1994, quando cerca de 500 mil da etnia tutsi foram mortos por hutus, ocorreu após um grande declínio na produção agrícola do país. Os hutus não mataram os tutsis apenas por limpeza étnica, mas para se apropriar de suas terras, como, posteriormente, admitiram alguns genocidas.

O conceito de exterminar o próximo para garantir a própria sobrevivência voltou a assombrar a humanidade. À medida que as mudanças climáticas avançam e destroem ecossistemas, a discussão sobre a capacidade de garantir a produção de alimento volta ao centro do debate das grandes potências.

Hoje, a China, assim como a antiga Alemanha nazista, é uma grande potência industrial incapaz de alimentar sua população, por isso, depende do imprevisível mercado internacional. Isso torna a população chinesa suscetível a princípios como o Lebensraum. Não há o risco da população da China morrer de fome, mas há o risco de o país, uma potência militarmente desenvolvida, cair no pânico ecológico, e tomar medidas drásticas para manter seu padrão de existência.

O governo chinês já aluga 10% de todo solo produtivo da Crimeia e investe pesado na compra de alimentos sempre que a produção mundial cai. Na seca de 2010, a compra  de alimentos desenfreada da China fomentou revoltas alimentares e revolução no Oriente Médio. Além disso, a China enxerga a África como uma “despensa de alimentos” a ser usada em longo prazo. Isso, porque, embora muitos africanos passem fome, o continente tem quase a metade das terras férteis do mundo.

Genocídios não costumam dar sinais facilmente identificáveis antes de ocorrer. O cenário nazista de 1941 pode não ressurgir da mesma forma, mas muitos de seus elementos já começaram a aparecer.

Não é difícil imaginar um futuro cenário na África onde a busca por terras resultaria em genocídios e na expulsão de moradores locais. Resta saber se o mundo vai aceitar as evidências e investir em novas tecnologias para otimizar a produção de alimentos ou se vai permitir o crescimento de uma onda global de pânico ecológico.

Fontes:
The New York Times-The Next Genocide

3 Opiniões

  1. magnaldo nicolau disse:

    Os interesses econômicos e a vaidade humana têm retardado a adoção de medidas urgentes e enérgicas para se evitar ou minimizar o pior: regiões áridas predominarem na terra inviabilizando a vida humana como hoje existe. Lamentável que o homem seja o causador da sua própria extinção. O que dirão os seres do futuro que surgirão após o fim da raça humana?

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    Vale o mesmo princípio que reina no Brasil: Diminuir despesas (ou diminuir o consumo de alimentos, através de controle do aumento vertiginoso da população) JAMAIS.
    Aumentar impostos, no caso tentar plantar ainda mais, sempre parece ser a solução mais fácil, quando se sabe que esta é a solução mais difícil. O planeta é limitado. Se sete bilhões vivem super mal, será que aumentando a população para 10 bilhões vai melhorar? É o mesmo que dizer que aumentando a carga tributária Brasil para 50% tudo será um mar de rosas.
    Parece até o Levy que vê o aumento de impostos como uma coisa maravilhosa.
    Duas coisas que precisam ser controladas: aumento de impostos e aumento da população. Fora disto temos o INFERNO com letras maiúsculas. Parece James Lovelock, mas ele não estava totalmente errado em 1970 quando esboçou a teoria de Gaia.

  3. Victor Ivens disse:

    Enquanto a ficção apresenta apocalipses zumbis, onde o que fora um ser humano mata outro sem razão aparente, esquece-se que o apocalipse que há de vir provavelmente será bem humano, devido às tensões regionais e crises ambientais. O homem é o lobo do homem.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *