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PAÍS EM CAOS

Disputa pelo poder na Líbia pode se intensificar

O general Khalifa Haftar, que controla o leste do dividido país, está internado na França, o que intensificou a disputa para tomar seu lugar

Disputa pelo poder na Líbia pode se intensificar
Haftar não é visto desde abril e seu quadro clínico é um mistério (Foto: Flickr/Isobel Smith)

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Um importante capítulo da história da Líbia está sendo escrito no quarto de um hospital em Paris, na França. No início deste mês, Khalifa Haftar, o polêmico general que comanda o Leste do país deu entrada no hospital militar Val-de-Grâce. Seu quadro clínico é um mistério. Há relatos de que ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e pode estar em coma – ou até morto.

O porta-voz de Haftar insiste que ele está apenas internado para exames e que vai retornar para casa em alguns dias. Em meio aos boatos, o governo francês optou pelo silêncio. Mas a realidade dos fatos importa muito no contexto atual.

Mergulhada em um caos político desde a morte de Muammar Khadafi, em 2011, a Líbia está dividida entre dois grupos políticos adversários. A falta de um governo sólido criou um vácuo no país que serve de terreno fértil para o avanço do Estado Islâmico. Haftar não é visto em público desde o início de abril deste ano. Seu controle sobre o Leste do dividido país está erodindo e seus aliados se desdobram para encontrar um sucessor.

É uma queda vertiginosa para aquele que foi uma das mais poderosas e polarizadoras figuras da Líbia. Haftar participou do golpe que em 1969 trouxe Muammar Khadafi ao poder, mas acabou exilado após enfrentar o novo ditador e passou a viver nos EUA. Décadas mais tarde, em 2011, ele retornou ao país, desta vez para ajudar a derrubar Khadafi.

Em 2014, quando a Líbia mergulhou em uma guerra civil, ele tomou o controle de Benghazi, uma das mais importantes cidades do país, e derrotou as milícias que nela atuavam. Três anos depois, o Exército Nacional Líbio declarou vitória na região.

Haftar declarou que trouxe estabilidade para o Leste. Seus homens passaram a controlar Sidra e Ras Lanuf, as duas maiores refinarias de petróleo do país. No ano passado, a produção nas refinarias aumentou mais da metade, passando para mais de 1 milhão de barris por dia, embora o número ainda esteja abaixo do período anterior à revolução.

O general Haftar governa os escombros da Líbia como um autocrata. O exército líbio já saqueou propriedades de famílias deslocadas e torturou críticos. Ele não apoia a proposta da ONU de realizar eleições no país com a participação de Trípoli, cidade do oeste do país cujo governo é apoiado pela organização.

Agora, o mistério no quarto de hospital em que Haftar está internado não permite saber se ele chegará a ver tais eleições ou quem irá tomar seu lugar. O exército líbio é hoje uma colcha de retalhos de milícias e seus líderes já estão competindo para ver quem vai substituir o general doente.

O sentimento de divisão também afeta a população líbia, fragmentada em tribos, etnias e regiões geográficas. Haftar tem dois filhos, Khalid e Saddam, que já foram cotados como sucessor, mas eles não têm experiência no campo de batalha nem apoio político.

Enquanto isso, o vácuo de poder em Benghazi começa a dar sinais. Em 18 de abril, o general Abdel-Razaq al-Nadhouri, chefe de gabinete de Haftar e outro potencial sucessor, sobreviveu a um ataque perpetrado por um carro-bomba. Dias depois, houve confronto entre forças policiais e militares, que, teoricamente, estariam do mesmo lado.

Caso retorne para casa em breve, como disse seu porta-voz, Haftar já não parece mais invencível e seu império no Leste líbio pode estar com os dias contados.

 

Leia também: Líbia pode se tornar a próxima emergência mundial após a Síria

Fontes:
The Economist-As a Libyan warlord sickens, a power struggle grips his country

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1 Opinião

  1. Laércio disse:

    A diferença da Líbia para o Brasil é que lá a guerra e oficial!

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