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Segunda Guerra Mundial

Documentário exibe imagens do Holocausto arquivadas desde 45

Os Aliados queriam expor ao mundo as atrocidades cometidas pelos nazistas, mas decidiram pelo arquivamento por questões políticas

Documentário exibe imagens do Holocausto arquivadas desde 45
Soldados registraram as atrocidades cometidas pelos nazistas (Reprodução/Internet)

Importante filme sobre o Holocausto, o documentário “German Concentration Camps Factual Survey” foi patrocinado pelo Ministério da Informação do Reino Unido, mas por 70 anos permaneceu inacabado. Produzido por Sidney Bernstein, o filme contou com a participação de Alfred Hitchcock, que examinou o material rodado e deu indicações quanto à montagem. Além dos registros feitos pelos soldados, equipes de filmagem foram convidadas a acompanhar a libertação dos campos de concentração.

Os Aliados queriam expor ao mundo as atrocidades cometidas pelos nazistas, mostrando imagens autênticas dos horrores nos campos de extermínio. Mas à época, com a rivalidade com a União Soviética ganhando força, o governo inglês optou por não estremecer as relações com os alemães, tidos como aliados estratégicos na Guerra Fria. E o Reino Unido também não queria que o movimento sionista ganhasse mais simpatizantes. Temendo que as imagens aumentassem a pressão pela criação do Estado de Israel em território palestino, então gerido pelos britânicos, o governo do Reino Unido, ao invés de confrontar os alemães com as imagens, decidiu por arquivar o projeto.

As imagens ficaram guardadas durante décadas no Museu Imperial de Guerra do Reino Unido. Só recentemente o documentário foi restaurado, digitalizado e concluído pela equipe do museu.

O resultado coloca o espectador de volta a 1945. As imagens gravadas pelos soldados e pelas equipes de filmagem mostram pilhas de corpos e o horror estampado no rosto das vítimas. Cadáveres são jogados em covas pelos guardas alemães. O filme também mostra a hipocrisia dos burgueses levados ao local, que aparentam surpresa com as atrocidades cometidas, apesar de saberem o que acontecia ali. As imagens reais têm um peso que nenhuma reprodução gravada em estúdio pode atingir.  E com o número de pessoas que negam o Holocausto se multiplicando, sua exibição torna-se essencial.

Mas para o colunista Roger Cohen do The New York Times, a decisão de não exibir o filme no pós-guerra foi um erro. Cohen conta que viveu na Alemanha após a reunificação e que presenciou a batalha de gerações para revelar os crimes cometidos pelos nazistas. “O documentário poderia ter acelerado esse processo”, afirmou o colunista. Jane Wells, a filha do produtor do documentário, revelou que seu pai lhe disse que não completar o filme foi o maior arrependimento de sua vida.

Fontes:
The New York Times-Buried Truths About Nazi Mass Murder and the Allied Victory

2 Opiniões

  1. walkirio disse:

    E quando este documentário estará no youtube???? Existe um documentário sobre as chacinas ocorridas no México?

  2. olbe disse:

    É verdade este filme devia ser logo aberto ao público porque além de algumas pessoas dizerem que tudo foi invenção,vai ajudar a que todos tenham mais compreensão com as pessoas que sobreviveram depois deste inferno e ao mesmo tempo entenderem que somente neste caso do Nazismo a palavra Holocausto se aplica e não como agora é comum vermos as pessoas chamarem de Holocausto qualquer outro tipo de tragédia..

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