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Combate ao terrorismo

Documentos da CIA revelam novas facetas de Bin Laden

Líder da Al Qaeda era extremamente preocupado com sua imagem pública e sua segurança

Documentos da CIA revelam novas facetas de Bin Laden
Ele queria que a Al Qaeda parasse de se preocupar com disputas regionais e se focasse em matar americanos (Foto: Wikipedia)

Escondido em Abbottabad, no Paquistão, por talvez cinco anos sem conexão com a internet, Osama Bin Laden tinha muito tempo para ler sobre si mesmo, sobre a Al Qaeda e sobre seu principal inimigo, os Estados Unidos. De acordo com 103 documentos liberados pela CIA, encontrados no local onde ele se escondia e foi morto, o líder terrorista queria que a Al Qaeda parasse de se preocupar com disputas regionais e focasse em matar americanos.

“O foco deveria estar em matar e combater o povo americano e seus representantes”, ele escreveu em uma carta encontrada pelos Seals da Marinha e entregue à CIA. “Deveríamos parar com ataques contra o Exército e a polícia no Oriente Médio, especialmente no Iêmen.”

Não deveria ser uma surpresa que o líder terrorista estivesse preocupado com seu legado e com sua imagem pública, afinal de contas, ele era filmado assistindo vídeos sobre si mesmo na televisão. Além disso, Bin Laden debatia táticas, tinha enorme preocupação com a espionagem americana e ainda criava formulários para recrutar novos membros como um autêntico diretor de recursos humanos.

As correspondências mostram que Bin Laden era extremamente preocupado com sua segurança. Ele pedia que o grupo não se comunicasse pela internet com medo de ataques por aviões-robô contra lideranças da Al Qaeda.

O material foi divulgado dias após o premiado jornalista americano Seymour Hersh afirmar que a Casa Branca mentiu sobre a morte de Bin Laden, alegando que o Paquistão sabia de sua localização. Congressistas da oposição questionaram a demora do governo e da CIA em liberar os documentos, mas a Casa Branca alegou que o conteúdo precisava ser revisado antes da publicação.

Obsessão pelo Ocidente

Osama Bin Laden aprendeu inglês em uma escola de elite, de estilo ocidental, em Jidá, na Arábia Saudita, onde foi, na maior parte do tempo, um aluno dedicado. Sua estante sugere que ele passou seus últimos anos no esconderijo novamente como um estudante, desta vez como um aluno do terrorismo, obcecado pelo “imperialismo” americano.

A natureza eclética da lista de sua estante mostra tanto o Bin Laden líder da Al Qaeda, como suas limitações como um fugitivo internacional. Além disso, revela suas ambições; sua susceptibilidade ingênua com teóricos, que usam a conspiração para explicar as “enganações” do Ocidente; sua fascinação pelos EUA e sua determinação de encontrar novas maneiras de atacá-lo para tentar compreender a dinâmica de seus sistemas políticos e econômicos.

Como Steve Coll escreveu na biografia da família de Bin Laden, “The Bin Ladens: An Arabian Family in the American Century” (Os Bin Ladens: uma Família Árabe no Século Americano, na tradução literal): “Osama não era um estranho para o Ocidente, já que cresceu na família mais rica da Arábia Saudita e viajou para o exterior. “Mas aos 15 anos, ele já havia erguido um muro contra seus encantos. Sentia-se incomodado pelo Ocidente, e pela sua presença em sua própria família, e ainda, como ele iria demonstrar nos anos seguintes, faltava-lhe uma compreensão sofisticada ou sutil da sociedade ocidental e da história. Ele usou seu passaporte, mas nunca realmente saiu de casa”.

Fontes:
The New York Times-Osama Bin Laden’s Bookshelf Reflects His Fixation on West
O Globo-CIA: Bin Laden fazia formulários para novatos, era obcecado por segurança e queria foco nos EUA

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