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Documentos ligam Pinochet a ataque terrorista nos EUA

Departamento de Estado americano divulgou evidências convincentes de que Pinochet foi o mandante de um ato de terrorismo em Washington

Documentos ligam Pinochet a ataque terrorista nos EUA
O crime que envolveu Pinochet aconteceu em 21 de setembro de 1976 (Foto: Wikimedia)

Cinco presidentes americanos (de Jimmy Carter a George W. Bush) tinham uma arma letal contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, mas nenhum deles fez uso dela. Na última semana, o Departamento de Estado americano divulgou documentos que revelam evidências convincentes de que Pinochet foi o mandante de um ato de terrorismo em Washington, que matou o político chileno Orlando Letelier e uma mulher americana.

Pinochet comandou o Chile por 17 anos e morreu em 2006, ainda sob investigação de crimes contra os direitos humanos, apesar de nunca ter sido condenado. A revelação, no entanto, chegou tarde demais. “Isto teria tido um impacto catastrófico em Pinochet”, disse o embaixador chileno dos Estados Unidos, Juan Gabriel Valdés. “Os Estados Unidos mudariam a história apenas ao acusá-lo por um crime cometido na capital do país, o que os Estados Unidos têm todo o direito e o poder para fazer.” Ao revelar esta informação, os Estados Unidos teriam passado uma mensagem inconfundível aos chilenos e ao exército chileno de que não consideravam mais Pinochet aceitável. Segundo Valdés, se isso ocorresse, a volta da democracia ao Chile (que aconteceu em 1990) teria sido muito mais rápida e “provavelmente teria acontecido sem Pinochet”.

O crime que envolveu Pinochet aconteceu em 21 de setembro de 1976. Uma bomba, plantada dentro de um carro por um agente chileno, matou Letelier e Ronni Moffitt enquanto eles trafegavam pela Massachusetts Avenue, em Washington. O marido de Moffitt, que trabalhava para Letelier, também estava no carro, mas sobreviveu.

Uma investigação do FBI de 1978, acusou várias autoridades chilenas, incluindo o chefe da Direção de Inteligência Nacional (Dina) do Chile, Manuel Contreras, e um grupo de cubanos anti-Castro de realizar o ataque. Mas Pinochet saiu ileso da investigação e concordou em entregar quem construiu e plantou a bomba, um americano chamado Michael Townley.

À medida que o FBI estava se organizando para trazer Townley de volta para os EUA para enfrentar as acusações, a CIA foi minando suas fontes abundantes entre os civis e militares de direita no Chile.

Um relatório da CIA de 28 de abril de 1978, que foi enviado para Washington, mostrou que a agência já tinha provado o envolvimento de Pinochet no assassinato. “Contreras disse a uma pessoa de confiança que ele autorizou o assassinato de Letelier sob ordens de Pinochet”, segundo dizia o relatório.

O Departamento de Estado Americano usou como referência oito relatórios da CIA do mesmo período, cada um trazia fontes que informaram evidências do envolvimento direto de Pinochet no assassinato e no seu acobertamento posterior.

Letelier foi um antigo embaixador chileno nos Estados Unidos, além de ser ministro das Relações Exteriores e ministro da Defesa no governo esquerdista de Salvador Allende, que foi derrubado por um golpe liderado por Pinochet, em 1973. Letelier estava em exílio em Washington depois de passar um ano num campo de prisioneiros. Ele tinha acesso a um círculo poderoso em Washington. Era a voz mais influente nos Estados Unidos contra a ditadura de Pinochet.

 

Fontes:
Newsweek-A Bombshell on Pinochet’s Guilt, Delivered Too Late

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