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MAUS-TRATOS

Documentos revelam abusos em campo dos Fuzileiros Navais dos EUA

Recruta sofreu queimaduras químicas de segundo e terceiro graus tão graves que precisou fazer enxertos de pele

Documentos revelam abusos em campo dos Fuzileiros Navais dos EUA
Instrutor e recrutas no campo de treinamento de Parris Island (Fonte: Reprodução/Marine Corps)

Um recruta do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA que foi ameaçado por seu instrutor sofreu queimaduras químicas de segundo e terceiro graus em suas nádegas tão graves que precisou fazer enxertos de pele. A informação consta em documentos divulgados pelo The Washington Post, e aos quais o jornal teve acesso graças à “Freedom of Information Act”, a lei de acesso à informação norte-americana.

Os documentos revelam que o caso ocorreu no campo de treinamento de Parris Island, na Carolina do Sul. As lesões surgiram após o recruta ser obrigado a realizar exercícios não-autorizados em um chão coberto com alvejante e a ficar com sua calça molhada durante horas.

Embora relutante, o recruta contou a outro instrutor naquela mesma noite sobre suas queimaduras, mas permaneceu em treinamento durante mais alguns dias. A situação dele piorou após ele ser informado que não poderia se formar com seus pares caso procurasse atendimento médico.

Um oficial da Marinha informou que o instrutor em questão, o ex-sargento Jeffery Vandyke, foi condenado em 2014 a um ano de prisão militar após ser considerado culpado por inúmeras acusações de crueldade, maus-tratos e agressão. As lesões do recruta do caso divulgado pelo Washington Post, ocorridas em dezembro de 2012, estão entre as mais graves sofridas por recrutas dos EUA em anos.

Os documentos divulgados pelo Washington Post revelam um escândalo que eclodiu no ano passado no campo de Parris Island após a morte do recruta Raheel Siddiqui, de 20 anos, durante seu treinamento. Trata-se de parte de uma história que inclui dezenas de casos de abusos contra recrutas nos últimos cinco anos.

O comandante do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, general Robert B. Neller, disse que os abusos contra recrutas não serão tolerados.

Jeffery Vandyke foi acusado por diversos recrutas e também por outros instrutores de abusar de recrutas. Ele nega muitas das acusações, mas admitiu a investigadores que já havia sido afastado do trabalho por três dias após ter agarrado um recruta pela garganta.

Pelo menos outras 20 investigações envolvendo instrutores foram divulgadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais nas últimas semanas por meio da lei de acesso à informação norte-americana.

Fontes:
The Washington Post - Marine recruit needed skin grafts to treat chemical burns suffered at boot camp, documents reveal

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2 Opiniões

  1. laercio disse:

    É interessante saber que um instrutor não tem o conhecimento para trabalhar as sutilezas psicológicas e físicas para obter o melhor resultado.

    O exército norte americano vive da fama do mais forte vence!

    Podemos ficar mais tranquilos porque isto influência na tomada de importantes decisões finais em campo de combate

  2. Natanael Ferraz disse:

    Se o recruta não consegue sobreviver à um instrutor psicopata, é melhor desistir da guerra.

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