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Escândalo da Fifa

Dos dirigentes da Fifa indiciados pelo FBI até agora, apenas um não é latino-americano

Marin é o único brasileiro entre os indiciados inicialmente, mas há pelo menos outros dois dirigentes citados no relatório do FBI

Dos dirigentes da Fifa indiciados pelo FBI até agora, apenas um não é latino-americano
Escândalos envolvem principalmente a Conmebol e Concacaf, mas contratos da CBF também são suspeitos (Foto: Wikipedia)

O FBI indiciou nove dirigentes da Fifa por corrupção na manhã da última quarta-feira, 27, todos eles membros de confederações latino-americanas de futebol. Os indiciados são ex-presidentes da Conmebol (a confederação sul-americana de futebol) e dirigentes da Concacaf (confederação que administra os campeonatos da América Central, do Norte e Caribe). Eles são acusados de receber propina em negociações com agências de marketing esportivo.

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O ex-presidente da CBF e ex-governador de São Paulo durante o regime militar, José Maria Marin, está entre os presos, mas outros importantes dirigentes do futebol brasileiro também foram citados no relatório da investigação. São eles: Ricardo Teixeira, presidente da CBF de 1989 até 2012 e o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero. Além deles, a gestão de João Havelange como presidente da Fifa também está sendo investigada.

Após a ação do FBI, a Polícia Federal brasileira iniciou uma investigação. Dois mandatos foram emitidos para busca e apreensão na empresa do agente esportivo e ex-presidente do Flamengo, Kléber Leite, e na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Romário irá abrir CPI da CBF

O senador e ex-jogador Romário (PSB-RJ) conseguiu ontem 50 assinaturas, 23 a mais que o mínimo necessário, para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo é investigar os contratos firmados pela CBF, desde a gestão de Ricardo Teixeira (1989-2012) até a atual, com Marco Polo Del Nero. Romário elogiou a ação da polícia americana.

“Eu vou ficar mais feliz ainda quando o Ricardo Teixeira for preso, o que deve acontecer em breve. Todos se achavam intocáveis na CBF, diziam que era uma entidade privada e não tinham que ser investigados. Mas como dizem meus amigos, a casa vai cair para eles”.

O próximo passo é conseguir a assinatura do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Além dos contratos comerciais, o senador fluminense pretende investigar negociações envolvendo amistosos da Seleção Brasileira e outras denúncias de corrupção envolvendo a entidade.

Investigação indica que Marin dividiu propina

Os contratos comerciais da Copa do Brasil, torneio mata-mata disputado pelos clubes brasileiros, também estão sob suspeita de fraude e, de acordo com o relatório publicado pelos americanos, a verba da corrupção que Marin, então presidente da CBF, recebeu foi dividida com Teixeira e Del Nero.

Segundo a investigação, a Traffic, empresa de marketing esportivo que tem direito de exploração da competição, pagaria R$ 2 milhões de propina a Marin por ano, até 2022. Os valores pagos entre os anos de 1990 e 2012, na gestão Ricardo Teixeira, não foram informados.

Confira a lista de cartolas indiciados:

Jeffrey Webb – presidente caimanês da Concacaf
Eduardo Li – Presidente da Federação Costarriquenha de Futebol
Julio Rocha – Ex-presidente da Federação Nicaraguense de Futebol
Costas Takkas – britânico ligado à Concacaf (o único da lista que não é latino)
Jack Warner – Ex-presidente trinitário da Concacaf e vice-presidente da Fifa
Eugenio Figueredo – Vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Conmebol
Rafael Esquivel – Diretor da Conmebol e presidente da Federação Venezuelana
José Maria Marin – Ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo 2014
Nicolás Leoz – Ex-presidente da Conmebol e da Federação Paraguaia de Futebol

Fontes:
Folha-EUA indicam que Marin dividiu propina com Del Nero e Teixeira
Estadão-Marin e outros seis cartolas são detidos por corrupção em Zurique
O Globo-Romário protocola requerimento para criação da CPI da CBF no Senado

1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    Só falta o Ricardo Teixeira e Havelange.

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