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ELEIÇÕES ARGENTINAS

É tenso o clima na Argentina a poucos dias da eleição

Pesquisas indicam vitória da ‘Fórmula Fernández-Fernández’ no primeiro turno, impedindo reeleição de Macri

É tenso o clima na Argentina a poucos dias da eleição
Eleições estão marcadas para o próximo domingo, 27 (Foto: gob.ve)

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“Só falta votar”. Essa foi a manchete do jornal argentino Página12 da última segunda-feira, 21, dia seguinte ao último debate entre os seis candidatos à presidência da República Argentina mais bem colocados nas pesquisas antes das eleições do próximo domingo, 27.

Dos três maiores jornais de Buenos Aires – os outros são o Clarín e La Nación – o Página12 é aquele que claramente se alinha ao peronismo-kirchnerismo. Aquela manchete informa, sem dizer, que o desempenho do candidato peronista-kirchnerista no debate ficou um tanto aquém do esperado, ao contrário do que aconteceu no debate do domingo anterior, quando Alberto Fernández levou clara vantagem sobre Mauricio Macri, que tenta a reeleição.

Nada, porém, que tenha chegado a desanimar os apoiadores de Fernández, que tem ninguém menos que Cristina Kirchner como vice na chapa. Alberto tem nada menos que 20 pontos percentuais de vantagem sobre Macri nas últimas pesquisas de intenção de voto, o que seria suficiente para lhe garantir a Casa Rosada já no domingo, evitando o que os argentinos chamam de “balotaje” – o segundo turno.

Até aqui, a estratégia peronista-kirchnerista de evitar Cristina na cabeça de chapa, mesmo com ela liderando as pesquisas meses atrás, antes dos registros de candidaturas, essa estratégia vem se mostrando exitosa. Ex-presidente de dois mandatos, Cristina Kirchner está para a Argentina como Lula está para o Brasil, por assim dizer. Por mais que não esteja presa, seu nome está envolvido em várias denúncias de corrupção.

Por mais que os apoiadores de Cristina denunciem uma perseguição judicial contra ela – como o PT denuncia um lawfare contra Lula -, decidiu-se, ao contrário do que decidiu o PT em 2018, não insistir numa candidatura que implicaria em dificuldades para formação de consenso em torno dela da parte de setores importantes da esquerda argentina. Chegou-se assim à chamada “fórmula Fernández-Fernández” – Alberto Fernández para presidente e Cristina Fernández Kirchner para vice.

Pelo lado de Macri, sua reeleição parece mesmo comprometida pela situação de calamidade econômica e social em que a Argentina se encontra após seus quatro anos de governo. O discurso do “Cambiemos”, a coligação de Macri, de que esta situação dramática é culpa da “herança K” parece não encontrar eco nas camadas populares.

O slogan da campanha de Macri para a Casa Rosada é “Si, se puede”, inspirado, digamos assim, no “Yes, we can” que foi o histórico slogan com que Barack Obama chegou a uma casa de outra cor, a Casa Branca.

O slogan da campanha da “fórmula Fernández-Fernández” é “Argentina de pie”, para contrastar com a Argentina de Macri, de joelhos ante o FMI, pela terceira vez na história do país.

“Só falta votar”, disse o Página12 na segunda, talvez cedo demais. Ainda na segunda, explodiu um grave confronto entre policiais e manifestantes na frente da embaixada do Chile, em Buenos Aires. Várias pessoas foram presas e vários jornalistas ficaram feridos.

A ministra de Segurança de Macri, Patricia Bullrich, acusou “a esquerda” pelo episódio, jogando o episódio para o centro da campanha eleitoral. As organizações sociais que convocaram a manifestação acusaram a presença de agentes infiltrados no ato de apoio à rebelião em curso no Chile.

Não, a reta final da campanha presidencial na Argentina não será tranquila.

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