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‘Economist’ defende reforma trabalhista na França

De acordo com a revista, o governo de François Hollande não pode ceder às pressões para a não aprovação do projeto de lei da reforma trabalhista

‘Economist’ defende reforma trabalhista na França
A greve contra a reforma trabalhista tem afetado a vida cotidiana da população e ameaça disseminar o caos (Foto: YouTube)

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A França está preparando-se para realizar um grande evento este mês. A Eurocopa 2016, um campeonato internacional de futebol, que só perde em importância para a Copa do Mundo, terá início no dia 10 de junho, em Paris. Mas um espetáculo diferente está atraindo a atenção do mundo para a França e por razões erradas: a greve contra a reforma trabalhista, que tem afetado a  vida cotidiana da população e ameaça disseminar o caos e prejudicar o campeonato.

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Na semana passada um bloqueio das refinarias de petróleo causou pânico entre os motoristas, quando os postos de gasolina ficaram sem combustível. Esta semana o caos se espalhou para as ferrovias. Os pilotos da Air France votaram a favor da interrupção dos voos. Está previsto um dia de protestos e greves em 14 de junho, quando o Senado discutirá as mudanças propostas no projeto de lei da reforma trabalhista, que estão no centro dos conflitos.

A reforma trabalhista destina-se a combater o desemprego elevado no país, que permanece na taxa de 10%. A reforma visa dar mais flexibilidade às negociações coletivas e condições menos restritivas à demissão de empregados. Porém essa não foi a proposta que o presidente socialista da França, François Hollande, apresentou ao ser eleito há quatro anos, com a promessa de lutar contra a austeridade e realizar uma reforma tributária para aumentar os impostos da camada mais rica da população.

Cauteloso diante de um possível protesto da ala mais à esquerda de seu partido, o primeiro-ministro Manuel Valls decidiu recorrer ao artigo 49.3 da Constituição para aprovar o projeto de lei da reforma trabalhista sem submetê-lo à votação na Assembleia Nacional. Mas o maior  sindicato de esquerda do país, a Confédération Générale du Travail (CGT), optou por enfrentar o governo francês em um momento de extrema tensão, com a proximidade da Eurocopa.

Há dez anos, o presidente Jacques Chirac desistiu de aprovar uma reforma trabalhista controversa após semanas de manifestações estudantis. Ceder agora seria um erro. O governo precisa resistir às pressões dos sindicatos, mesmo que seja tentador fazer concessões, como um meio de evitar prejuízos à organização da Eurocopa 2016.

Qualquer concessão significaria uma contradição ao espírito da reforma, que tem a finalidade de diluir o papel da lei nacional e dos acordos setoriais. Causar problemas ao campeonato de futebol seria uma vergonha. Mas para o benefício do futuro da França é mais importante ganhar o jogo político.

Fontes:
The Economist-Don't cave in, Mr. Hollande

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