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Inteligência animal

Elefantes reconhecem grupos étnicos hostis pelo idioma

Eles também são capazes de usar alertas diferentes para avisar seus pares sobre a presença de abelhas ou de grupos de pessoas hostis

Elefantes reconhecem grupos étnicos hostis pelo idioma
Os paquidermes são ainda mais astutos do que achavam os zoólogos (Reprodução/Getty)

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Os elefantes na África lidam com pessoas desde que pessoas existem, uma vez que os primeiros humanos evoluíram naquela parte do mundo há 2 milhões de anos. E eles vêm lidando com abelhas por ainda mais tempo – já que esses insetos, que também evoluíram na África, já estão por lá há pelo menos 35 milhões de anos. As pessoas e as abelhas são praticamente os únicos animais dos quais um elefante adulto tem medo, portanto observar as nuances de suas reações pode ser intrigante. Dois estudos publicados nessa semana fazem justamente isso. Eles mostram que elefantes podem reconhecer as línguas de grupos étnicos propensos a serem hostis a eles, e daqueles que não o são, e também que os animais são capazes de alertar seus pares sobre a presença de abelhas de maneira diferente daquela utilizada para indicar a presença de pessoas.

Os masai, quenianos que costumam tirar o seu sustento da atividade de pastoreio, têm uma longa história de caçar elefantes, uma vez que os animais são tidos como competidores do seu gado por recursos como água e pasto.

No entanto, os vizinhos dos masai, os kamba, povo propenso à agricultura, raramente mata elefantes. E os elefantes conseguem distingui-los. Eles reconhecem os masai e kamba tanto por sua aparência como por seu cheiro. Uma equipe liderada por Karen McCom e Graeme Shannon da Universidade de Sussex, na Grã-Bretanha, resolveu investigar se eles também seriam capazes de distinguir as línguas de ambos os grupos.

Para descobrir, a Dra. McComb e o Dr. Shannon gravaram as vozes de homens masai e kamba falando calmamente “Olhe, olhe lá, um grupo de elefantes está se aproximando”. E em seguida tocaram as gravações para 48 grupos de elefantes para ver o que aconteceria. Eles acabam de publicar os resultados no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Quando os elefantes escutavam os homens masai, cheiravam ao redor à procura de perigo em 70% das vezes ou recuavam e se agrupavam em grupos protetores em 60% das vezes. Quando escutavam os kamba, fungavam em apenas 25% das vezes e recuavam ou se agrupavam em apenas 40% das vezes. Ademais, no caso dos masai, pelo menos, as vozes masculinas provocaram mais medo. Quando os dois pesquisadores repetiram os experimentos com gravações das mulheres e crianças masai, os elefantes tenderem a ignorá-las.

Fontes:
The Economist-Know your enemy

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