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Eleição na Somália é um marco na história da corrupção

Apesar de o processo eleitoral ter sido modificado, a corrupção continua igual

Eleição na Somália é um marco na história da corrupção
A corrupção não é segredo no país, por isso a população ri dos slogans de 'justiça' e 'desenvolvimento' das propagandas políticas (Foto: Pixabay)

Por mais de 25 anos, a Somália não teve um governo central. O país mergulhado no caos vai ter na próxima quarta-feira, 8, a chance de eleger novamente um presidente. O que era para ser um marco na história da democracia, no entanto, está se tornando um marco na história da corrupção. Vários analistas e diplomatas ocidentais estão considerando este como um dos eventos mais fraudulentos da história do país. A organização global anticorrupção Transparência Internacional já considera esta eleição como a mais corrupta do mundo.

Apesar da maioria dos somalis compartilharem a mesma língua, cultura e etnia, a sociedade é divida em vários clãs e sub clãs. Estas divisões se tornaram oficialmente unidades políticas como se fossem distritos congressionais. A corrupção não é novidade entre os clãs. Mas os diplomatas ocidentais pressionaram o país para que houvesse um processo mais amplo e inclusivo. O sistema de Câmara e Senado foi adotado. Os diplomatas ocidentais acharam que assim o suborno eleitoral seria mais difícil de acontecer. No entanto, eles estavam errados.

Mais de dez anciões somalis admitiram em entrevistas ao New York Times que foram subornados. Eles também disseram que poderiam ser mortos caso revelassem como o esquema funcionava. A corrupção não é segredo no país, por isso a população ri dos slogans de “justiça” e “desenvolvimento” das propagandas políticas.

“Estes homens estão recebendo propinas de 100 mil dólares enquanto a maioria de nós não pode pagar um prato de macarrão”, diz Mohamed Said Mohamed, um vendedor de peixe. Comida é um grande problema atualmente. Por conta da seca, a Somália pode ter que enfrentar novamente a fome.

Outra questão curiosa é que 16 dos 24 candidatos à presidência têm passaporte estrangeiro. Segundo a Constituição do país, o candidato precisa ser somali e muçulmano. Além disso, ele não pode ser casado com um estrangeiro ou se casar com um durante o mandato. A questão do passaporte estrangeiro não fica claro no texto. Entretanto, isso é apenas mais uma prova do fato de que quase 2 milhões de somalis vivem fora do país.

A Somália passa por crises desde 1991. Para piorar, há grandes chances de passar por um novo período de fome, e o Al Shabab, uma das organizações fundamentalistas mais mortais do mundo, continua sendo uma ameça. O presidente americano Donald Trump já listou a Somália no seu decreto anti-imigração. Agora, o temor é que ele corte também a ajuda humanitária ao país.

Fontes:
The New York Times-Fueled by Bribes, Somalia’s Election Seen as Milestone of Corruption
Quartz-Two-thirds of Somalia’s presidential candidates hold foreign passports
UN-Novo modelo eleitoral é adotado na Somália

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