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Diplomacia

Eleições americanas podem afetar a reaproximação entre EUA e Cuba

Os dois governos temem que uma vitória republicana no pleito em 2016 possa jogar fora todo o processo de reaproximação

A reaproximação entre Estados Unidos e Cuba está ameaçada. Após a reabertura das embaixadas, concluída na última semana, os dois governos correm para avançar em outros pontos com o objetivo de consumar o fim do embargo antes da eleição presidencial americana de 2016. O temor é que uma possível vitória republicana acabe com o projeto.

Grandes nomes da oposição são contrários à proposta de Obama de reatar laços com Cuba. Dois pré-candidatos republicanos, Jeb Bush e Marc Rubio, já prometeram rever os acordos feitos pelo atual presidente em caso de vitória no pleito de novembro.

Após a cerimônia de hasteamento da bandeira americana no consulado dos EUA em Cuba, na última sexta-feira, 14, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que há passos importantes no caminho para concluir o processo. Kerry acredita que a reaproximação está sendo bem feita e outro presidente, independente do partido, não jogaria isso fora. Porém, o secretário condicionou os acordos a mudanças na política cubana, principalmente em relação aos direitos humanos, ao acesso à informação e à liberdade de empreendimento e consumo.

Passo-a-passo para o futuro

Kerry e o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, montaram um grupo de trabalho para avançar na agenda bilateral e concluir os tratados. A primeira reunião será em setembro, dias 10 e 11, em Havana.

O processo é composto por três etapas. A primeira abordará temas mais leves, como agenda ambiental e segurança marítima. A etapa seguinte entrará em questões mais tensas como aviação civil, telecomunicações e acesso à internet no país latino. O último passo é o mais delicado, pois tratará de temas que mais causam discórdia, como direitos humanos, tráfico de pessoas e indenizações dos dois lados.

Esses passos são importantes como sinal para o congresso americano, que é quem decide ou não pelo fim do embargo. Segundo Kerry, a votação está condicionada ao aumento das liberdades individuais em Cuba.

A parte mais espinhosa do acordo tende a ser os pedidos de compensação financeira. Segundo a comissão feita pelo Departamento de Justiça dos EUA, 5.913 empresas e indivíduos que tiveram propriedades estatizadas em Cuba fizeram requisições de reembolso, o que teria um custo de aproximadamente US$ 8 bilhões, o equivalente a quase  10% do PIB cubano. Pelo lado de Cuba, o cálculo feito aponta um prejuízo US$ 113 bilhões em decorrência do embargo.

A reaproximação começou no dia 17 de dezembro de 2014, quando Obama e Raul Castro anunciaram a retomada das relações diplomáticas entre os dois países após 54 anos de rompimento.

Fontes:
Estadão-EUA e Cuba buscam frear revisão de acordo

1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Problemas pontuais podem atrapalhar mas não irão impedir. Americanos são pragmáticos e planejam para o longo prazo; eles querem neutralizar a Venezuela e as FARC-EP, para pacificar a região e aumentar o calado do Canal do Panamá.

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