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Eleições americanas: política, negócios e estratégias

A oposição aos acordos de livre comércio tem sido uma estratégia inteligente nas campanhas presidenciais

Eleições americanas: política, negócios e estratégias
Um artigo sugeriu que a oposição aos acordos de livre comércio era uma estratégia inteligente da campanha presidencial (Foto: Flickr)

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Poucos temas uniram os candidatos democratas e republicanos durante as eleições primárias nos Estados Unidos, com exceção das críticas ao livre comércio. Donald Trump disse que a China “quer que o povo americano morra de fome” e que o México está “roubando os empregos dos americanos”. E propôs aumentar as tarifas de importação. Bernie Sanders culpa o Acordo de Livre Comércio da América do Norte pela perda de quase 700 mil empregos. Em outubro, Hillary Clinton criticou o Tratado Transpacífico que havia apoiado.

Um novo artigo de J. Bradford Jensen, Dennis Quinn e Stephen Weymouth do National Bureau of Economic Research sugeriu que a oposição aos acordos de livre comércio era uma estratégia inteligente da campanha presidencial. Os EUA têm uma vantagem comparativa em atividades que exigem um alto nível de competência, como a criação de softwares, mas são vulneráveis à competição externa em atividades menos especializadas. Essa vulnerabilidade tem aumentado com a assinatura de acordos de livre comércio e a disseminação da globalização, que resultou na inserção de mais mercados emergentes na economia global. De acordo com os pesquisadores, essas tendências influenciam a votação nas eleições presidenciais.

Em nível nacional, o aumento de uma unidade na balança comercial como um percentual do PIB associava-se ao aumento de 4% na proporção dos votos dos presidentes em exercício, que concorrem à reeleição. E se o saldo da balança comercial diminuísse no mesmo valor, os presidentes teriam menos votos na mesma proporção. Com a consulta de dados de um condado no Census Bureau, os pesquisadores descobriram que o aumento de desvio de um padrão em um alto salário negociável do setor industrial gerava um pequeno aumento de 0,5% na proporção das intenções de voto. No entanto, o efeito era bem maior na outra extremidade da escala, quando uma mudança semelhante em um salário baixo causava uma queda na proporção do voto de 1,3%.

Ao examinarem os dados dos estados que definem o resultado das eleições nos EUA, os pesquisadores constataram que o efeito entre os trabalhadores com baixos salários era quase o dobro. Esse efeito mais acentuado era explicado pelo fato de seis estados influentes — Iowa, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin — terem uma proporção maior do que a média de empregos na indústria. O estudo mostrou que os presidentes e os candidatos presidenciais precisam ser corajosos para apoiar a liberalização do comércio. As perdas do fracasso são maiores do que os benefícios do sucesso.

 

Fontes:
The Economist-Why opposing free-trade agreements is a clever campaign strategy

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