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Eleições francesas estão permeadas de surpresas

França se prepara para uma eleição presidencial que transformou fatos inesperados em rotina

Eleições francesas estão permeadas de surpresas
Favorito nas primárias do Partido Socialista, Manuel Valls ficou em 2º lugar (Foto: RF1)

Enquanto a França se prepara para a eleição presidencial em abril, os fatos inesperados transformaram-se em rotina. Poucos previram que o político de centro-direita, François Fillon, seria escolhido como candidato à presidência nas primárias do Partido Republicano em novembro. Em dezembro, François Hollande declarou que não iria concorrer à reeleição, o primeiro presidente a tomar essa decisão desde a criação da Quinta República Francesa. Agora, surgiu a surpresa de janeiro. As pesquisas indicaram que Manuel Valls, um centrista que exerceu o cargo de primeiro-ministro até dezembro, seria o candidato favorito nas primárias do Partido Socialista (PS) em 22 de janeiro. Mas ele ficou em segundo lugar superado por Benoît Hamon, um político da ala esquerda do partido.

Os dois adversários se enfrentarão no segundo turno em 29 de janeiro. É provável que Hamon vença a disputa, com o apoio dos votos do terceiro colocado, Arnaud Montebourg, e de outros membros da ala esquerda do partido. Seu sucesso no primeiro turno é importante, porque o PS, com um desempenho fraco, está se afastando do centro da política francesa. Os socialistas comemoraram a participação de quase 2 milhões de eleitores no primeiro turno, um resultado satisfatório, uma vez que poucos acreditam que o candidato do partido tenha chance de vencer a eleição. Mas o Partido Republicano conseguiu mais de 4,3 milhões de votos nos dois turnos das primárias em novembro.

Benoît Hamon, que foi por pouco tempo ministro da Educação em 2014, atraiu eleitores nas últimas semanas com promessas de generosidade pública. Sua plataforma política inclui a proposta de criação de uma renda básica universal de €750 (US$803), a ser adotada em 2022. Essa renda básica compensaria a possibilidade de perdas de empregos em larga escala causadas pela informatização, embora não tenha explicado com clareza como o programa seria financiado. Hamon também propôs reduzir a já limitada semana de trabalho na França de 35 para 32 horas. E sugeriu ainda a cobrança de um imposto sobre robôs. Nenhum outro candidato tinha algo tão atraente a oferecer.

Na suposição que Hamon seja o candidato escolhido pelo Partido Socialista, o maior vencedor seria o ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, o candidato de centro-esquerda por seu partido independente En Marche! Macron prometeu modernizar a França. O ex-banqueiro de investimento com apenas 39 anos é um rosto novo no cenário político. Com uma posição social e econômica liberal, além de popular na mídia, ele defende a adoção da economia digital na França.

Como ministro da Economia, Macron introduziu uma série de reformas liberalizantes, como a privatização de serviços de ônibus de longa distância e a flexibilização de algumas restrições trabalhistas. Segundo as pesquisas de opinião, ele está em terceiro lugar na campanha presidencial, com cerca de 20% da intenção de votos. As mesmas pesquisas indicam que Fillon tem 25%, enquanto Marine Le Pen, a líder populista da Frente  Nacional, conta com o apoio de 26% do eleitorado. A maioria dos analistas políticos acredita que Le Pen disputará o segundo turno em maio, mas que será derrotada por um candidato mais popular. Resta saber quem será esse candidato.

Fontes:
The Economist-In their presidential primary, France’s Socialists tack to the left

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