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POLÍTICA EUROPEIA

Eleições holandesas: um termômetro para a extrema-direita europeia

Pleito desta quarta-feira, 15, na Holanda pode medir a força do populismo e da extrema-direita na Europa

Eleições holandesas: um termômetro para a extrema-direita europeia
O deputado Geert Wilders segue o discurso anti-imigração comumente usado por grupos de extrema-direita europeus (Foto: Flickr)

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As eleições holandesas nesta quarta-feira, 15, serão acompanhadas de perto por toda a Europa e servirão como um termômetro da ascensão da extrema-direita e do populismo no continente.

A votação holandesa é primeira de uma série de eleições europeias que ocorrerão em 2017. Os resultados do pleito desta quarta-feira, que poderão reformular completamente o cenário político do país, devem ditar uma tendência em outros países, como a França, a Itália e a Alemanha, e com isso há o temor que o discurso extremista avance pela Europa.

O Partido para a Libertade (PVV, na sigla holandesa), liderada pelo deputado Geert Wilders, centra sua campanha eleitoral no ataque à União Europeia e à entrada de imigrantes no continente, seguindo o discurso anti-imigração comumente usado por grupos de extrema-direita europeus.

Apesar de seu discurso forte, o partido de Wilders sofreu nas últimas semanas um recuo nas intenções de voto e possivelmente não fará parte do governo, ocupando de 20 a 24 assentos dos 150 que compõem a câmara baixa do Parlamento holandês. No entanto, o partido deve afastar aliados às possíveis coalizões, que tradicionalmente governam o país.

Rival direto do extremista Wilders, o atual primeiro-ministro Mark Rutte concorrerá ao terceiro mandato pelo Partido Liberal e Democrata (VVD). O partido da direita holandesa tem 17% das intenções de voto e é creditado à ocupar entre 24 a 28 cadeiras no parlamento.

Rutte considera essas eleições fundamentais para que “a forma errada de populismo” avance na Europa e que ele “luta para evitar acordar em 16 de março em um país onde Geert Wilders seja a maior força política”.

‘Trump holandês’

As declarações polêmicas, sobretudo nas redes sociais, e o cabelo claro e despenteado tornam inevitável a comparação do candidato holandês Geert Wilders com o presidente americano Donald Trump.

Parlamentar há quase 20 anos, Wilders vem se notabilizando por sua retórica anti-islâmica em um país com uma população de cerca de 5% de muçulmanos. Entre suas promessas de campanha, caso se torne primeiro-ministro, estão o fechamento de fronteiras aos imigrantes islâmicos, a proibição a venda do Alcorão e o fechamento de mesquitas.

Ele ainda compara o Alcorão ao livro “Mein Kampf”, de Afolf Hitler, e se considera em uma cruzada contra a “islamização” da Holanda. “Não digo que todos os muçulmanos são ruins ou terroristas, seria ridículo. Mas acredito que em todos os países onde o Islã é a religião dominante, se pode observar uma falta de liberdade, de democracia, de Estado de direito…”, afirmou Wilders em entrevista à AFP.

Por conta das recentes declarações, o parlamentar passou a integrar a lista negra da Al-Qaeda e vive sob permanente proteção policial.

Fragmentação política

Uma característica que pode ser notada nas eleições holandesas é a fragmentação do espectro político. De acordo com analistas, dificilmente algum partido sairá vencedor com a grande maioria dos votos.

“Não há mais grandes partidos. Só restam as siglas de tamanho médio, sem ninguém exceder os 20% dos votos”, afirma o analista Tom Louwerse, da Universidade Leiden, em entrevista à Folha de S. Paulo.

O cenário se difere do que era visto em 1986, quando os três maiores partidos tinham quase 90% dos votos. O discurso radical do PVV é apontado como uma das razões para esse cenário fragmentado.

De acordo com pesquisas de opinião feitas às vésperas da eleição, cerca de 60% dos 12,9 milhões de eleitores ainda não sabiam em quem votar. “[O cenário] é tão volátil, muita coisa ainda pode acontecer”, diz Monika Sie Dhian Ho, diretora de um centro de think tanks em Haia, em entrevista à AFP.

Fontes:
New York Times-Dutch Vote Watched Across Europe With a Finger in the Wind
G1-Eleição na Holanda serve de termômetro para ascensão da extrema-direita na Europa
Folha de S. Paulo-Pulverização de votos deve dificultar coalizão após pleito na Holanda

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