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'TERMÔMETRO' DA POLÍTICA

Eleições legislativas dos EUA ocorrem nesta terça-feira

Eleições parlamentares e estaduais são vistas como um ‘termômetro’ que mede a aprovação ou rejeição do governo federal pela população

Eleições legislativas dos EUA ocorrem nesta terça-feira
Resultado do pleito pode reforçar ou enfraquecer os planos de Trump de se reeleger em 2020 (Foto: Jennifer Wexton/Twitter)

Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira, 6, para eleger representantes para a Câmara, Senado e governos estaduais. As eleições são chamadas de midterm, pois acontecem no meio do mandato presidencial – o republicano Donald Trump foi eleito em 2016.

Ao todo, serão escolhidos 35 novos senadores, 435 deputados, além de governadores para 36 estados e três territórios americanos. As pesquisas de intenção de voto mostram uma divisão, com a possibilidade dos democratas saírem vitoriosos na votação para a Câmara, mas os republicanos levando a melhor no Senado.

Desde o fim de outubro, o presidente Donald Trump reforçou a campanha a favor dos republicanos pelas redes sociais. Sempre assíduo no Twitter, ele passou a publicar mais postagens, fazendo referências a diferentes candidatos aos governos estaduais e ao Legislativo federal. Ademais, fez campanha presencial em diferentes estados.

Por outro lado, o ex-presidente Barack Obama, figura forte do Partido Democrata, tem participado de comícios e se manifestado a favor dos representantes do partido sempre que possível. Os democratas querem ter a maioria na Câmara para seguir fazendo forte oposição ao governo Trump, que é constantemente criticado.

Atualmente, o Partido Republicano mantém o controle em boa parte dos Estados Unidos. De 50 estados americanos, 33 são comandados por políticos filiados ao partido. Nas eleições desta terça-feira, um total de 26 cargos máximos dos governos estaduais estão em jogo.

A decisão das eleições pode reforçar ou enfraquecer a campanha de Trump em busca da reeleição em 2020. Isso porque a midterm é encarada como uma espécie de “termômetro” para o pleito. Caso os republicanos mantenham o controle, é entendido que Trump está tendo a sua forma de governar aprovada pela população. Por outro lado, se os democratas tiverem um saldo positivo, a administração Trump vai precisar ligar o sinal de alerta.

Comercial polêmico

O principal discurso a favor do Partido Republicano tem sido o posicionamento de Trump anti-imigração. Tanto que um comercial televisivo, financiado pela campanha de reeleição de Trump, conta com um forte discurso contra a imigração para os Estados Unidos.

O anúncio tem gerado polêmica e revoltado os críticos. Na propaganda – a favor do Partido Republicano e contra os democratas – é veiculada partes do julgamento do mexicano Luis Bracamontes, que foi sentenciado à morte em abril por matar dois policiais em Sacramento, na Califórnia. Bracamontes é um imigrante ilegal nos Estados Unidos, e o comercial acusa o Partido Democrata de ter permitido que ele entrasse e ficasse no país.

O comercial destaca trechos de Bracamontes sorrindo ao receber a sentença de morte e afirmando que gostaria de ter matado mais do que dois policiais. Ademais, o anúncio também conta com trechos de vídeos de uma caravana de pessoas supostamente a caminho dos Estados Unidos. Ao fim, o comercial questiona quem mais os democratas deixariam entrar no país, destacando que o “presidente Donald J. Trump e os republicanos estão fazendo a America segura novamente”.

Críticos e democratas apontaram o comercial como racista, generalizando um caso ao sugerir que todos os migrantes seriam iguais a Bracamontes. Diante disso, emissoras americanas, como CNN, NBC e a própria Fox News – que tem um perfil mais conservador e alinhado a Trump – se negaram a continuar veiculando o anúncio. O Facebook também não divulgará mais o comercial, mas ainda permite que usuários o postem.

Ao ser questionado por jornalistas, que apontaram o possível teor ofensivo do comercial, Trump afirmou que “muitas coisas são ofensivas, suas perguntas são muitas vezes ofensivas também”. Em sua postagem no Twitter com o comercial, o presidente americano destacou que “é ultrajante o que os democratas estão fazendo com o nosso país”.

Não incluindo a Fox News nas críticas, Brad Pascale, chefe da campanha de Trump, afirmou que a decisão das emissoras e do Facebook de não veicular o comercial demonstra que eles “decidiram apoiar os que entram ilegalmente no país”. Trump, pelas redes sociais, ainda destacou que a CNN “apenas passa notícias falsas e não fala sobre ameaças reais”. Em resposta, a emissora destacou, também pelo Twitter, que já tinha deixado “extremamente claro” que o comercial é racista e sempre foi rejeitado.

Fontes:
Radio Nacional-Eleitores norte-americanos vão às urnas nesta terça-feira
DW-TVs rejeitam anúncio de Trump criticado como racista

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