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EDUCAÇÃO

Elite da China quer escolas menos rígidas e mais criativas

Alguns pais rejeitam o excesso de rigidez e competitividade na educação convencional chinesa e optam por colocar filhos em escolas mais modernas

Elite da China quer escolas menos rígidas e mais criativas
Partido Comunista tem reservas quanto à escolaridade não convencional (Foto: Pixabay)

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Com pós-graduação em literatura, Ruby Li cursou quase todas as etapas do sistema educacional da China. Agora, mãe de duas crianças vive na cidade de Chengdu, e quer poupar os filhos de sua experiência de longas horas de estudo em casa e do ambiente escolar estressante. Há alguns anos, Ruby e o marido, um empresário bem-sucedido, tiraram o filho mais velho de um jardim de infância convencional e o matricularam em uma escola com métodos de ensino menos formais e rígidos. Desde então, ele é mais feliz e saudável.

Ruby e o marido pertencem a uma classe de pais mais modernos e prósperos que escolheram a escola particular Chengdu Waldorf, uma instituição inspirada nas ideias peculiares de Rudolf Steiner, um educador austríaco do início do século XX, para educar os filhos. A escola tem um método de ensino criativo, disse Zhang Li, um dos seus fundadores. O campus é mal cuidado, mas alegre, com uma sala de caligrafia e uma parede com pinturas rupestres, resultado de um projeto de arte dos alunos.

O desempenho excelente das crianças nas cidades mais ricas da China em exames internacionais em matemática, ciência e leitura conquistou o respeito pelo sistema educacional do país no exterior. Mas os sentimentos são ambíguos na China, onde os pais preocupam-se com o excesso de competitividade das escolas do governo, da pressão da cultura dos exames e com o fato de os currículos privilegiarem a preparação para os exames, em vez da criatividade. Por esse motivo, um fluxo constante de alunos matricula-se em escolas particulares que preparam para o ingresso em universidades estrangeiras.

A escola Waldorf em Chengdu inaugurada em 2004 tem cerca de 500 alunos do jardim de infância até o ensino médio. Outras 70 escolas Waldorf espalham-se pelas grandes cidades chinesas. O estilo criativo de ensino assemelha-se ao das escolas Montessori, com pelo menos 900 escolas destinadas a crianças com menos de 6 anos na China.

A educação inspirada na cultura chinesa antiga das pequenas escolas na região rural, que ensinam matérias como medicina tradicional e confucionismo, também estão atraindo os pais em busca de um ensino menos convencional.

Alguns pais que não querem submeter os filhos às restrições do sistema tradicional de ensino, mas que não encontram uma alternativa acessível, optam pela educação em casa. Uma pesquisa publicada este ano pelo Instituto de Pesquisa de Educação do Século XXI relacionou 6 mil famílias que educam os filhos em casa, um número ainda pequeno, mas que está aumentando.

No entanto, alguns pais preocupam-se com os últimos anos de escolaridade dos filhos. Os que querem que os filhos estudem no exterior não se preocupam com a qualidade de ensino das escolas, que não seguem rigidamente o currículo oficial do governo. Já os pais que preferem que os filhos façam o exame vestibular para universidades chinesas, o gaokao, muitas vezes optam por matriculá-los em escolas convencionais nesse período de estudo.

Para o governo é interessante ter jovens com boa formação acadêmica, iniciativa e criatividade, capazes de construir uma economia mais dinâmica e inovadora. No início da década de 2000, o governo começou a incentivar as escolas a oferecer aulas mais interativas e a usar livros didáticos diferentes dos tradicionais.

Mas o Partido Comunista tem reservas quanto à escolaridade não convencional, com receio que os professores transmitam ideologias ou religiões não aceitas pelo regime, como o cristianismo e o islamismo. Em fevereiro, uma circular do governo advertiu aos pais que o ensino em casa ou em escolas cujos currículos baseiam-se na cultura chinesa antiga não substitui o ensino ministrado pelas instituições aprovadas pelo regime durante o período de educação obrigatória. As autoridades também cerceiam a liberdade das escolas. Este ano, o governo limitou o número de livros infantis de autores estrangeiros publicados na China. Se essas iniciativas desencorajarem a experimentação, o futuro das crianças chinesas será prejudicado.

Fontes:
The Economist-China’s yuppies want schools to be more laid-back

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