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MASSACRE NA SÍRIA

Em dois dias, ofensiva contra rebeldes na Síria mata 110 civis

Mortes ocorreram no leste de Ghouta, região controlada por rebeldes onde forças russas e o exército sírio promovem ofensiva e cerco humanitário

Em dois dias, ofensiva contra rebeldes na Síria mata 110 civis
Pelo menos 21 crianças já morreram por conta da ofensiva (Foto: UNICEF/Amer Al Shami)

Mais de 110 civis morreram nas últimas 48 horas por conta de uma ofensiva promovida por forças russas e sírias no leste de Ghouta, uma região rural da capital Damasco. As informações são da rede Al Jazeera.

Na última segunda-feira, 5, 30 civis morreram em ataques aéreos. No dia seguinte, foram mais 80. Pelo menos 22 mulheres e 21 crianças estão entre os mortos. “Cenas de prédios inteiros, com famílias inteiras, vindo abaixo com os moradores ainda dentro – mulheres, crianças e homens – se tornaram frequentes” disse à rede Al Jazeera, Abu Salem al-Shami, um morador e ativista local.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma ONG com sede no Reino Unido que monitora o conflito sírio, a última terça-feira, 6, marcou o “maior massacre na Síria desde o ataque químico de abril” em Khan Sheikhoun, na província de Idlib.

Por conta de sua posição em relação a Damasco, Ghouta é de grande importância para o governo do presidente Bashar al-Assad. Porém, desde 2013, o leste de Ghouta é controlado por rebeldes. Trata-se de uma das últimas áreas que ainda estão sob controle da oposição. Retomar para o governo sírio o controle de Ghouta é um dos objetivos principais da Rússia, a principal aliada de Assad.

Desde 2013, o exército sírio impõe um cerco militar na região, que é lar de 400 mil civis, no intuito de drenar as forças rebeldes. No entanto, o cerco afeta mais a população civil que os rebeldes. “As pessoas de fora pensam que a Rússia e o regime sírio estão matando combatentes armados, mas isso é totalmente falso. Somente os civis estão sendo alvejados – civis comuns, o povo de Damasco”, disse Shami, que perdeu 10 membros de sua família quando o prédio onde moravam foi atacado.

Os ataques têm como alvos primordiais áreas residenciais, centros médicos mercados e escolas. Por conta do cerco, pouca ajuda humanitária consegue entrar em Ghouta, o que torna escasso o acesso a suprimentos básicos, como alimentos e medicamentos. Segundo um alerta do Unicef, quase 12% das crianças com menos de cinco anos no leste de Ghouta estão  subnutridas.

Na terça-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu por um cessar-fogo de um mês para aliviar o que descreveu como “situação extrema”. Segundo o coordenador da ONU para Assuntos Humanitários na Síria, Panos Moumtzis, a organização está quase sem forças para responder à “dramática deterioração da situação humanitária” dos últimos dois meses.

No momento, a situação mais crítica é em Ghouta, que desde novembro não recebe alimentos, água ou medicamentos por conta do cerco do exército. “Há a percepção errada de que a retomada de regiões vem resultando em paz e estabilidade. Nos sentimos realmente indignados. Acontecimentos dramáticos vêm ocorrendo e chegaram a um ponto em que não podemos mais ficar em silêncio”, disse Moumtzis.

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