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DISPUTA ACIRRADA

Empate marca reta final das eleições francesas

Quatro candidatos seguem empatados na disputa de primeiro turno das eleições francesas, marcadas para o próximo domingo, 23

Empate marca reta final das eleições francesas
Macron, Le Pen, Fillon e Mélenchon disputarão o pleito no próximo domingo (Foto: Flickr/NR)

O primeiro turno das eleições presidenciais francesas chega à reta final neste fim de semana. No próximo domingo, 23, os eleitores do país escolherão entre quatro candidatos que, segundo uma recente pesquisa do jornal Le Monde, estão tecnicamente empatados.

Seguindo o jornal, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o centrista Emmanuel Macron têm 22% das intenções de votos. Em seguida, está o candidato esquerdista Jean-Luc Mélenchon, com 20% das intenções de voto, seguido do conservador François Fillon, com 19%.

O surpreendente empate entre os quatro candidatos reflete a turbulência e a incerteza que marcaram o pleito deste ano. A princípio, durante as primárias disputadas no final do ano passado, o cenário parecia bem definido, com Fillon, do partido Os Republicanos, aparecendo como favorito nas pesquisas. Porém, sua campanha foi abalada por um escândalo no qual Fillon se tornou suspeito de ter favorecido sua esposa, Penelope, e seus dois filhos, Marie e Charles, com empregos fantasmas durante seu mandato como deputado.

Tal fato contribuiu para a ascensão de Macron, um jovem candidato sem experiência eleitoral. Ex-banqueiro e ex-ministro da Economia, Macron deixou o Partido Socialista, do presidente François Hollande, no ano passado, para fundar o Em Marcha!, pelo qual se candidatou.

Le Pen iniciou a disputa como uma das favoritas a ir para o segundo turno com Fillon. Sua campanha foi impulsionada pelo Brexit e pela vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas, fatos anunciados por ela como prova da mudança no cenário global para o viés nacionalista defendido por seu partido, o Frente Nacional. Porém, Le Pen perdeu apoio após ser alvo de uma investigação judicial que apura a suspeita de que ela contratou assistentes fantasmas durante sua gestão como eurodeputada, usando fundos da Eurocâmara para contratar pessoas que, na verdade, trabalhavam na sede de seu partido, em Paris. Além disso, seu discurso antigo falhou em conquistar eleitores cansados da chamada velha política.

Foram estes eleitores que impulsionaram a ascensão de Mélenchon, a maior surpresa das eleições. Co-presidente do Partido de Esquerda, Mélenchon calcou sua campanha no movimento França Insubmissa. Admirador de Fidel Castro e Hugo Chávez, ele é considerado uma “voz fresca” na disputa. Ele propõe a saída da França da União Europeia, a redução da aposentadoria e maior intervenção estatal.

A indecisão dos eleitores franceses reflete o caótico cenário político na França, abalada pela crise de imigração, temor de ataques terroristas e a rejeição a Hollande, considerado o mais impopular presidente da França. Na semana passada, Hollande quebrou o silêncio que manteve desde que anunciou que não disputaria a reeleição. Em entrevista à revista Le Point, ele declarou que a campanha atual tem mais emoção do que razão. “Cheira mal. […] É superficial”, disse Hollande.

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