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INTIMIDAÇÃO

Empresas de tabaco ameaçam governos na África

Empresas de tabaco de grande porte vêm ameaçando governos de oito países africanos para impedir a aprovação de leis antitabagismo

Empresas de tabaco ameaçam governos na África
Denúncia foi feita em reportagem especial do jornal 'Guardian' (Foto: Pixabay)

Empresas de tabaco de grande porte vêm ameaçando governos de pelo menos oito países africanos, exigindo que eles anulem ou relaxem leis de proteção que salvaram milhares de vidas na Europa e na América. A denúncia foi publicada em uma reportagem especial do jornal Guardian.

A denúncia tem como foco a British American Tobacco (BAT), uma das maiores empresas de tabaco do mundo, que também é acionista majoritária da brasileira Souza Cruz. Dentre as marcas fabricadas pela BAT estão Kent (atual nome da marca Free), Dunhill (atual nome da marca Carlton) e Lucky Strike.

Segundo o Guardian, a empresa teria enviado cartas intimidadoras aos governos de Uganda, Namíbia, Togo, Gabão, Quênia, Etiópia, Republica Democrática do Congo e Burkina Faso. A intenção é impedir a aprovação de leis destinadas a limitar os danos à saúde causados pelo tabagismo. Se tais leis fossem aprovadas, fariam cair por terra a ambição da BAT de expandir seu mercado na África, continente que tem uma população jovem e cada vez mais próspera.

Uma das cartas da BAT a qual o Guardian teve acesso era destinada ao governo do Quênia. Nela, advogados da empresa pedem que a Suprema Corte do país anule completamente um pacote de leis antitabagismo. No texto, eles também criticam os planos de aumentar os impostos sobre o tabaco. Em outro documento obtido pelo Guardian, a empresa acusa a Lei de Controle ao Tabaco de Uganda de ser inconsistente e contrária à Constituição do país.

A BAT nega que seja contra todas as leis de regulamentação do tabaco, mas diz se posicionar contra aquelas que a empresa considera ilegais. Porém, Peter Odhiambo, ex-cirurgião cardíaco ugandês que liderou a criação da Lei de Controle ao Tabaco, discorda. “A BAT tem feito tudo que pode para nos impedir”, disse ele ao Guardian.

Segundo especialistas, a África e o sul da Ásia são regiões que precisam urgentemente de leis antitabagismo, por conta da demografia e da crescente prosperidade das economias das regiões. Apesar do declínio no número de fumantes e do aumento de leis de regulamentação, o tabagismo ainda mata mais de 7 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estima-se que há 77 milhões de fumantes no continente africano, número que, segundo estimativas, deve aumentar cerca de 44% até 2030, a maior previsão de avanço no tabagismo do mundo.

Fontes:
The Guardian-Threats, bullying, lawsuits: tobacco industry's dirty war for the African market

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