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Expansão no Vale do Silício

Empresas de tecnologia estão construindo sedes faraônicas no Vale do Silício

Não se via uma atividade tão intensa de construção de prédios no Vale do Silício desde os gloriosos dias de boom no final da década de 1990

Empresas de tecnologia estão construindo sedes faraônicas no Vale do Silício
A nova sede do Google será coberta por um toldo transparente para permitir a entrada de luz e terá estruturas móveis (Reprodução/Reuters)

O Vale do Silício não inventou o complexo de prédios. A compulsão para construir monumentos como símbolos do poder e prestígio dos governantes existe desde o início da história da humanidade. Mas com o dinheiro em abundância e as taxas de juros próximas a zero, as empresas líderes do Vale estão competindo para construir escritórios ainda mais luxuosos e monumentais do que os de seus concorrentes, sedes que irão alimentar seus egos corporativos, além de atrair e reter talentos.

Em 27 de fevereiro o Google entrou com um pedido de alvará para construir um complexo de escritórios ainda maior do que o Googleplex em Mountain View, Califórnia. A nova sede de 230 mil mserá coberta por um toldo transparente para permitir a entrada de luz e terá estruturas móveis (ilustração), que poderão criar novos ambientes sempre que necessário.

A nova sede da Apple, um prédio com quatro andares, que está sendo construído em Cupertino, Califórnia, parece uma nave espacial escondida misteriosamente em meio a uma floresta de 6 mil árvores recém-plantadas. Essa “nave mãe”, cujo custo, segundo dizem, ultrapassará US$5 bilhões, terá dois terços do tamanho do Pentágono e poderá abrigar mais de 12 mil funcionários, ao ser inaugurada em 2016.

Não se via uma atividade tão intensa de construção de prédios no Vale do Silício desde os gloriosos dias do boom das ações das empresas de tecnologia da informação e comunicação (TIC), no final da década de 1990. Empresas como Sun Microsystems, Silicon Graphics, Excite e Borland Software construíram escritórios luxuosos pouco antes da bolha das empresas dotcom explodir. Por coincidência, o índice Nasdaq Composite fechou o pregão em 12 de março cotado em 5.000 pontos, um fato inédito desde março de 2000, quando atingiu a cotação de 5.048. Em outubro de 2002 caíra para 1.114 e muitos palácios de vidro no Vale do Silício esvaziaram-se depois do resultado.

Como em todos os booms, os analistas de mercado dizem que desta vez será diferente. No auge do frenesi das empresas dotcom, as ações das empresas listadas no Nasdaq eram negociadas a um valor 50 vezes maior do que seu lucro por ação. Agora, estão em um patamar mais realista, com 18 vezes do valor. O Google, a Apple e o Facebook são empresas extremamente lucrativas e tudo indica que continuarão a ser. Mas um nova-iorquino, ao olhar para os prédios da Pan Am, da Chrysler e da General Motors deve pensar, com tristeza, que o mesmo foi dito a respeito desses titãs falidos.

 

Fontes:
Economist-Googledome, or temple of doom?

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