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Empresas precisam fazer parcerias até com concorrentes

O alto custo das novas tecnologias faz com que até mesmo algumas empresas de grande porte não consigam arcar sozinhas

Empresas precisam fazer parcerias até com concorrentes
A principal fornecedora de microchips para os iPhones da Apple é a sua concorrente Samsung (Reprodução/Flickr)

As empresas estão em busca de parcerias que possam complementar seus pontos fortes, compensar suas deficiências, proteger suas operações financeiras, aumentar seu conhecimento ou ampliar a área de atuação.

As joint ventures (em que duas ou mais empresas criam subsidiárias controladas em conjunto) ou associações mais informais não são novidade no cenário corporativo. Existem diversos estudos que mostram a frequência das tentativas de estabelecer parcerias e como é comum que terminem em lágrimas. No entanto, apesar das dificuldades inerentes a qualquer associação, as empresas estão sendo pressionadas a se associarem.

Essa pressão justifica-se, em primeiro lugar, pelo alto custo das novas tecnologias, que até mesmo algumas empresas de grande porte não conseguem arcar sozinhas. A indústria automobilística, por exemplo, gasta fortunas no desenvolvimento de projetos de carros elétricos, híbridos, movidos a células de combustível a hidrogênio e outras formas de propulsão. Mas também investem nos motores a gasolina e diesel, para que atendam às normas cada vez mais rígidas dos órgãos reguladores de controle das emissões de dióxido de carbono.

Entre os fabricantes de aviões e telefones celulares, as parcerias desconfortáveis são cada vez mais comuns, não apenas entre concorrentes diretos, como também entre fabricantes e fornecedores. A Boeing enfrentou dificuldades para viabilizar o projeto do 787 Dreamliner, porque precisava criar uma relação de colaboração e não de antagonismo com as empresas responsáveis pelo fornecimento dos componentes avançados do avião.

A principal fornecedora de microchips para os iPhones da Apple é a Samsung, sua maior concorrente no segmento de smartphones. As duas empresas administram um relacionamento complexo de competição agressiva no mercado e nos tribunais, onde brigam por causa de patentes, mas colaboram no design dos semicondutores que a Samsung vende para a Apple. Lee Jae-yong, o simpático vice-presidente da Samsung, tem a reputação de ser mais hábil em lidar com o mundo atual dos neologismos como “frenemies”, os amigos/inimigos, e da “co-opetition”, a cooperação/competição entre rivais, do que seu pai, o autoritário Lee Kun-hee.

Portanto, não faltam bons motivos para que as empresas estabeleçam parcerias até com seus inimigos eternos. No entanto, as sociedades nem sempre têm um final feliz. Às vezes, até mesmo empresas bem-intencionadas são implacáveis com seus parceiros. Ao se associarem é importante que as empresas confiem umas nas outras, porém é preciso ter cuidado para não caírem em ciladas.

Fontes:
The Economist-Managing partners

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