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Encolhimento da Gazprom faz Rússia perder força política na Europa

Novas fontes fazem com que países vizinhos não sejam mais tão dependentes do gás russo e impossibilita a pressão política russa através do gás

Encolhimento da Gazprom faz Rússia perder força política na Europa
A Rússia utilizou a estatal para pressionar os europeus em relação ao conflito na Ucrânia através de cortes de gás em 2006 e 2009 (Foto: Flickr/Thawt Hawthje)

Durante anos, a habilidade da Rússia de sufocar o envio de fontes energéticas em caso de tensões com a Europa ocidental — fazendo os habitantes dos países vizinhos tremerem de frio durante o inverno — deu a Moscou grande poder sobre seus vizinhos. Porém, a recente queda nos preços da energia na Europa tornou a política de gasodutos do Kremlin muito menos ameaçadora.

A gigante energética russa, Gazprom, usada como arma do governo, está presenciando a maior queda na demanda de gás natural desde o fim da União Soviética. Nações que eram totalmente dependentes do gás russo hoje têm outras opções. Além disso, a companhia terá de decidir no próximo mês se irá contestar a acusação de antitruste feita pela União Europeia, que poderia forçar a empresa a desistir de sua tática agressiva.

A nova fraqueza da estatal russa possibilitou ao ocidente pressionar a Rússia pelo papel desempenhado no conflito na Ucrânia, sem ter medo de corte no fornecimento de gás como represália, como ocorreu em 2006 e 2009. Com o novo acordo nuclear do Irã, a tendência é que a estatal russa perca ainda mais força, pois os iranianos passaram a fornecer petróleo e gás para a Europa. É uma inversão saudável para o continente, que teve o fornecimento cortado duas vezes na última década durante o inverno por disputas políticas relativas à Ucrânia.

De acordo com um analista do setor energético da firma RusEnergy, Mikhail Krutikhin, a potência russa do gás está em uma posição precária, está sem dinheiro e já não tem um mercado tão grande para encher seus cofres. Estimava-se que a Gazprom hoje seria a maior empresa de capital aberto do planeta. Isso foi o que o presidente da empresa, Alexey Miller, afirmou em 2008, mas a realidade é que a valorização da estatal hoje é um sétimo do que era na época.

Fontes:
Washington Post-Russia used to have a powerful weapon in its energy sector. Not anymore.

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