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'Direito de morrer'

Enfermeira britânica recorre a suicídio assistido na Suíça por medo de envelhecer

Apesar de ser saudável e ativa, Gill Pharaoh, de 75 anos, tinha medo de ter um derrame

Enfermeira britânica recorre a suicídio assistido na Suíça por medo de envelhecer
Gill Pharaoh, de 75 anos, não tinha nenhuma doença debilitante e ainda era ativa. Mas ela tinha medo de sofrer um derrame, como aconteceu com um de seus amigos (Foto: Pixabay)

Uma enfermeira britânica que trabalhou com pessoas idosas foi até uma clínica na Suíça para cometer suicídio assistido por medo de envelhecer e ser incapaz de se matar. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 3, por um jornal britânico.

Gill Pharaoh, de 75 anos, não tinha nenhuma doença debilitante e ainda era ativa. Mas ela

Foto de Gill Pharoah divulgada em seu blog

Foto de Gill Pharaoh divulgada em seu blog: http://yesiambovvered.com

tinha medo de sofrer um derrame, como aconteceu com um de seus amigos.

Gill foi para uma clínica suíça, na Basileia, acompanhada de seu parceiro de longa data, John Southall, de 70 anos, que disse ao jornal London Times que Pharaoh ainda estaria viva se a Grã-Bretanha permitisse as pessoas a fazer testamentos em vida autorizando o suicídio assistido no caso de perda da capacidade de escolha, como ocorre na Suíça.

O caso reacende um debate polêmico sobre o suicídio assistido ou eutanásia na Grã-Bretanha. Os que são contra a prática dirão que essa lei poderia encorajar pessoas ativas e saudáveis, como Pharaoh, a acabar com suas vidas prematuramente, segundo o jornal. Já aqueles a favor podem apontar para o medo desesperado que levou uma pessoa como Pharaoh a acabar com sua vida fora da Grã-Bretanha, porque ela estava com medo de se tornar velha e doente em seu próprio país.

Seu parceiro disse ao London Times que Pharaoh estava “apavorada de ter um acidente vascular cerebral, porque ela tinha um amigo próximo que sempre foi um membro do Exit (uma sociedade de eutanásia voluntária), mas que teve um derrame e ficou de cama por 10 anos em um estado muito patético”.

“Se nós tivéssemos leis neste país em que você pudesse escrever uma diretriz antecipada e dizer: ‘Se eu tiver um acidente vascular cerebral que me desabilite, gostaria de assistência médica para morrer’, ela não teria tido o medo do acidente vascular cerebral”, disse. “Tenho certeza de que ela gostaria de ficar por perto por mais tempo. Ela não podia fazer isso e, portanto, não estava preparada para assumir o risco.”

Um estudo em 2014, feito pela Universidade de Zurique, revelou que 611 pessoas viajaram para Suíça para dar um fim a suas vidas entre 2008 e 2012, sendo que 126 delas eram do Reino Unido, segundo o Sunday Times.

Fontes:
The Washington Post-Healthy British nurse ends her life in a Swiss clinic because of fear of getting old

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