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ESTADOS UNIDOS

Entenda 3 pontos cruciais sobre Charlottesville

Para entender a dimensão do que está acontecendo nos EUA, é preciso esclarecer algumas das polêmicas do caso de Charlottesville

Entenda 3 pontos cruciais sobre Charlottesville
Integrantes da marcha Unite the Right em Charlottesville, na Virgínia, nos Estados Unidos (Foto: Alejandro Alvarez/News2Share via Reuters)

No último sábado, 12, a cidade de Charlottesville, na Virgínia, nos Estados Unidos, foi alvo de um protesto organizado por grupos a favor da supremacia branca. Integrantes da marcha Unite the Right (“Unir a direita”, em tradução livre) gritaram palavras de ordem nazistas contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus, além de acenderem tochas em alusão ao grupo racista Ku Klux Klan. Membros da comunidade local, antifascistas e apoiadores da Black Live Matters, além de outros grupos, tentaram impedir a marcha. O conflito deixou três mortos e mais de 50 feridos.

Heather Heyer, de 32 anos, H. Jay Cullen, de 48 anos, e Berke M.M. Bates, que completaria 41 anos no próximo domingo foram as vítimas fatais. A assistente jurídica Heather Heyer foi uma das atropeladas por um carro que avançou sobre manifestantes. O motorista, James Alex Field, um jovem branco de 20 anos, foi preso logo em seguida e vai responder por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Cullen e Bates eram policiais e monitoravam a marcha quando o helicóptero em que estavam caiu. As causas da queda estão sendo investigadas.

Para entender melhor o que está acontecendo nos Estados Unidos, é preciso esclarecer algumas das polêmicas do caso de Charlottesville.

Por que em Charlottesville?

Apesar de pequena, com pouco mais de 50 mil habitantes, a cidade é palco de uma polêmica. Ela pretende retirar a estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal. Lee comandou as forças da Virgínia na Guerra Civil americana.

Naquela época, a Virginia fazia parte dos Estados Confederados (união de seis estados separatistas do sul dos Estados Unidos). Esses estados buscaram a independência para impedir a abolição da escravidão, pois defendiam uma economia agrícola com base na mão-de-obra escrava.

Várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados e alguns também defendem a extinção da bandeira confederada, o que tem gerado um grande embate. Isso porque para os críticos, a bandeira confederada é um símbolo racista, comparável à suástica. Tal opinião também é compartilhada por supremacistas, como o atirador Dylann Storm Roof, que em 2015 matou nove negros em uma igreja em Charleston, na Carolina do Sul. Roof costumava postar fotos em redes sociais junto à bandeira confederada.

Porém, muitos americanos moradores do sul do país enxergam a bandeira não como um símbolo racista, mas sim uma representação da cultura e costumes sulistas, considerando que o contexto histórico atual é bem diferente do visto durante a Guerra de Secessão. Por conta disso, são contra a extinção da bandeira.

Críticas a Trump

No último sábado, 12, Donald Trump tuitou que todos devem ficar unidos e condenar tudo o que representa o ódio. O presidente americano também disse que nos Estados Unidos não há lugar para esse tipo de violência.

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O presidente recebeu críticas de democratas e até de republicanos por não ter apontado os grupos extremistas em sua declaração logo após os confrontos em Charlottesville. Na avaliação dos críticos, a mensagem divulgada deixou implícita tanto uma condenação dos manifestantes de extrema-direita quanto dos anti-extremistas pelos violentos confrontos.

No último domingo, 13, foi  a vez da Casa Branca se posicionar. “O presidente disse de maneira muito forte em sua declaração no sábado que ele condena todas as formas de violência, intolerância e ódio, e claro que isso inclui os supremacistas brancos, a KKK, neo-Nazi e todos os grupos extremistas. Ele pediu união nacional e que todos os americanos estejam unidos”, disse o comunicado.

Apenas na última-segunda-feira, 14, Donald Trump criticou os neonazistas, membros da Ku Klux Klan e os militantes da supremacia branca em um discurso.“O racismo é maligno e aqueles que causam violência em seu nome são criminosos e bandidos, incluindo a Ku Klux Klan, os neonazistas e os militantes da supremacia branca, além de outros grupos de ódio, que são repugnantes a tudo que nós mais valorizamos na América”.

No entanto, não deixou de criticar a mídia em outro tuíte sobre o assunto. Ele disse que acrescentou comentários sobre o caso de Charlottesville e percebeu mais uma vez que a “mídia de notícias falsas” nunca vai ficar satisfeita.

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Derrubada de estátua na Carolina do Norte

Na noite de segunda, 14, manifestantes derrubaram uma estátua de um soldado confederado em Durham, na Carolina do Norte. Um grupo com mais de cem pessoas, que incluía anti-fascistas , segundo o The News & Observer, derrubaram a estátua que ficava em frente ao Durham County Courthouse.

A polícia de Durham declarou que não prendeu ninguém porque a propriedade é do condado, logo está sob jurisdição do xerife do condado. Ainda não está claro se esse departamento prendeu alguém.

A remoção da estátua resultou em fortes reações nas redes sociais, tocando exatamente na ferida dos símbolos confederados. “Como manifestantes derrubando um estátua da Guerra Civil em Durham, na Carolina do Norte, é diferente do Estado Islâmico destruindo relíquias históricas e museus?”, disse uma internauta. “Derrubar monumentos confederados não é apagar a história, é declarar que algumas partes dela pertencem a um museu e não a um pedestal”, defendeu a outra.

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Fontes:
The New York Times-Protesters in Durham Topple a Confederate Monument
G1-Trump chama neonazistas, KKK e grupos que pregam supremacia branca de 'repugnantes'

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

4 Opiniões

  1. Selma Carvalho disse:

    O que falta e SEMPRE faltará é respeito. Empatia.
    Um símbolo num lugar público, retrata um momento da história – de glória ou derrota, Por que considerar um MUSEU A CÉU ABERTO???. Se a maioria repudia ele passará despercebido.
    Aqueles que lutam para defender um PENSAMENTO, MODO DE VIDA, RELIGIÃO.. etc, quando perde não são extintos.
    Eles PERDERAM o direito de ser MAIORIA, mas, TEM DIREITO de continua pensando dentro dos seus DOGMAS. Utopia é achar que mudaram porque perderam.
    A violência é dos dois LADOS SIM. Se eu sou “nacionalista branco” ou “orgulhosamente negro” eu sou um EXTREMISTA SIM.
    O que eu preciso é ter consciência que todos temos direitos e exercer nossa cidadania dentro do LIMITE PERMITIDO.
    O Estado tem que oferecer a segurança para que eu possa publicamente, se quiser, expor meu pensamento. Claro que se eu vou pra rua dizer que amor meu irmão é entregar flores a todos os transeunte é uma coisa e passar com um carro no meio da passeata e outra sem precedente …. o equilíbrio é difícil, mas NÃO IMPOSSÍVEL. Só não podemos RADICALIZAR.

  2. Rogerio Faria disse:

    Países com grandes extensões territoriais tem (e terão) sempre questões raciais não resolvidas.
    Os EUA, Brasil, Rússia, México, China, Índia, são exemplos. O separatismo sempre se manifesta (e manifestará), no presente e no futuro destas nações, com maior ou menor violência, ressurgindo as sombras deletérias de seus passados…

  3. jan disse:

    A manipulação da imprensa esquerdista sobre Charlottesville segue a todo vapor
    Para qualquer um com dois neurônios, a imprensa está dando mais uma demonstração inequívoca do seu viés esquerdista
    Apesar de já estudar o assunto há algum tempo, não deixo de ficar impressionado com o nível da lavagem cerebral e da sua eficacia.
    Quando um muçulmano joga um carro ou caminhão contra uma multidão, a mídia ensina que não podemos condenar todos os muçulmanos pela ação de um “lobo solitário”, mesmo sabendo que a essência dos ensinamentos islâmicos é violenta, racista, totalitária e contrária aos valores ocidentais. Falar em terrorismo islâmico é considerado inaceitável.
    Quando um integrante do Black Lives Matter mata 8 policiais no Texas, ele é tratado como um “lobo solitário”, quando na verdade ele está apenas seguindo a retórica racista do movimento. Lembrem que Obama não condenou o grupo, que ele havia até mesmo convidado para visitá-lo na Casa Branca.
    Quando membros da Antifa, o grupo que se autodenomina “antifscista”, mesmo se comportando da mesma forma que a SA nazista, ou que os Camisas Negras de Mussolini, atua nas ruas produzindo violência e destruição, eles são tratados como “defensores da liberdade” e uma resposta legítima ao “discurso de ódio”.
    Quando um eleitor de Bernie Sanders vai até um jogo beneficente com um fuzil e alveja congressistas republicanos, ele não representa os democratas em geral, é apenas um maluco que está reagindo ao “discurso de ódio” de Trump.
    Agora, quando um supremacista branco comete um atentado terrorista, jogando um carro contra uma multidão de esquerdistas, ele é apresentado ao público como um típico representante da direita e eleitor de Trump, mesmo que a esmagadora maioria da direita condene com veemência esse tipo de ato e postura. Nesse caso não há cuidado para não generalizar, ou para evitar a “brancofobia”, ou qualquer outro subterfúgio para diminuir a responsabilidade do agressor.
    A imprensa exige que Trump condene o “nacionalismo branco”, enquanto exalta o “orgulho negro”, justificando o “racismo positivo” como “justiça social”.
    É uma maneira canalha de travar a guerra política, mas se há algo que a esquerda domina é a técnica da mentira e da manipulação das informações para criar reações emocionais irracionais no público.
    A primeira coisa que o cidadão precisa se dar conta é que a imprensa hoje em dia não tem mais o objetivo de informar, mas se transformou num instrumento do movimento esquerdista.
    Além disso, os conservadores não devem cair na armadilha criada pela esquerda. O crescimento do “nacionalismo branco” é uma óbvia resposta a vilificação do homem branco, mas esse efeito é exatamente o que a esquerda quer, para poder expor o racismo dos brancos, enquanto incentiva o racismo dos negros, dividindo para controlar.
    Devemos permanecer firmes nas crenças fundadoras da Civilização Ocidental: a liberdade individual, o Estado de Direito, a igualdade de tratamento pela Justiça, o livre mercado, a desconcentração do poder, a liberdade de expressão e a soberania, através da representação nos poderes instituídos, além da defesa da instituição da família e da liberdade religiosa.
    Afinal de contas, não foi a defesa desses valores que gerou, através de um longo processo, o fim da escravidão, presente há milênios na história humana? Uma evolução econômica e moral como nunca vista antes na história? Um nível de prosperidade sem paralelos.
    São esses os valores que devem nos unir, não a identificação com uma raça, até porque são valores universais, decorrentes do direito natural.
    Os EUA formam a nação que defendeu e aplicou esses valores da maneira mais ostensiva e exatamente por conta disso atingiu a liderança global em quase todas as áreas.
    Os inimigos da liberdade sempre identificaram os EUA como o alvo a ser destruído. Como isso não seria possível militarmente, até porque representaria a mútua destruição assegurada, a guerra passou a ser travada no campo cultural.
    O grande veneno utilizado é o socialismo, a ideologia que esconde objetivos totalitários horrendos atrás de uma parede de boas intenções.
    Nesse momento da história, onde o processo de destruição dos valores ocidentais segue o seu curso de forma acelerada, a eleição de um sujeito como Donald Trump é um grave acidente de percurso para os promotores do socialismo globalista, pois ele foi o primeiro presidente desde Regan a defender tais valores.
    É imprescindível para a esquerda destruir Trump, pois o sucesso da sua presidência pode ser um tiro fatal no socialismo globalista.
    Para tanto, a esquerda utiliza todos os seus meios, consolidados ao longo de décadas, como as escolas e universidades, o meio artístico, as associações e sindicatos, até mesmo a Igreja, sendo a imprensa o principal veículo.
    Parte da direita, uma parte ínfima é verdade, cai como patinho na estratégia divisiva da esquerda, além dos malucos e psicopatas que existem em qualquer movimento.
    É tudo que a imprensa precisa, a ação de um idiota ou psicopata desses para transformar qualquer direitista como um neonazi saudosista da escravidão, minando a presidência de Trump e destruindo o legítimo e importante movimento contrário ao totalitarismo globalista.
    O resultado desse embate irá definir o futuro político da humanidade. Não é possível deixar de ficar pessimista quando se a avalia a assimetria das forças em jogo. por Leandro Ruschel

  4. jan disse:

    Em artigo publicado pelo Washington Post, um dos mais esquerdistas grandes jornais americanos, e portanto insuspeito sobre o tema, mostra como em dezembro do ano passado o atual vice-prefeito de Charlottesville, Wes Bellamy, então membro do Conselho de Educação da Virgínia, teve que renunciar ao cargo porque veio a tuna antigas mensagens racistas postadas no seu twitter.

    Coisas como “..eu não gosto de pessoas brancas então eu odeio a neve que é branca..”, “..eu realmente disperso quando pessoas brancas ficam conversando..”, além de ter afirmado que “…mulheres brancas são diabólicas.” O sujeito também postou sobre iniciar uma relação sexual com uma mulher dormindo. Segundo ele, se nesse caso “…a mulher gemer, não é estupro”. Para finalizar, ele disse que não gostava de ver pessoas brancas na sua universidade.

    O sujeito era professor na escola do condado.

    Apesar dessas revelações, ele continuou no cargo de vice-prefeito e foi um dos principais defensores da remoção da estátua do General Lee que fica num dos principais parques da cidade e que iniciou todo o conflito que resultou em mortes no sábado.

    Além disso, segundo o organizador do protesto contra a retirada da estátua, Wes foi um dos responsáveis por organizar a vinda da Antifa e do Black Lives Matter para a cidade, além de ter ordenado que a polícia impedisse o protesto, e não intervisse quando a violência foi iniciada. Polícia que NÃO isolou os manifestantes dos dois grupos para começo de conversa.

    Tudo isso confirma tudo que eu tenho escrito sobre o tema. O racismo do sujeito foi tolerado pela imprensa e pelos Democratas. Quantos sujeitos como Wes existem hoje no partido e em cargos de poder? Como isso afeta a tensão racial no país? Leandro Ruschel

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