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Entenda por que mais imigrantes estão morrendo no Mediterrâneo

Marinha italiana parou de fazer abrangentes operações de salvamento no Mediterrâneo, tornando a jornada mais arriscada, na esperança de dissuadir imigrantes

Entenda por que mais imigrantes estão morrendo no Mediterrâneo
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que 26.165 migrantes chegaram a Itália neste ano, um número semelhante ao que chegou nos primeiros quatro meses de 2014 (26.644) (Foto: Wikipedia)

A imigração ilegal através do Mediterrâneo e as mortes no mar não são situações novas, porém, enquanto o número de imigrantes ilegais para a Europa se manteve relativamente estável nos primeiros quatro meses de 2015 em comparação ao mesmo período em 2014, houve aumento expressivo no número de mortes no mar neste ano.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, na sigla em inglês) estima que 26.165 imigrantes ilegais chegaram a Itália em 2015, um número semelhante ao que chegou nos primeiros quatro meses de 2014 (26.644). No entanto, nos primeiros quatro meses de 2014, apenas 96 morreram, segundo estimativas, em oposição aos 1700 casos que ocorreram até agora neste ano, o que representa um aumento enorme.

grafdoisA principal diferença é que no início de 2014, a marinha italiana estava operando uma abrangente operação de salvamento de imigrantes, chamado Mare Nostrum. Mais de 140 mil migrantes foram levados em navios da Mare Nostrum entre outubro de 2013 e outubro de 2014. Mas, nessa altura, ele foi substituído por uma operação em escala reduzida chamada Tritão, comandada pela Frontex, a agência da União Europeia para a gestão de fronteiras. Esta nova opção mais barata foi adotada por conta de uma lógica simples. Se o Mare Nostrum fosse desligado, a passagem seria mais arriscada e, por isso, menos pessoas tentariam fazê-la. No entanto, este não parece ter sido o resultado.

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Ao longo dos últimos anos,  a imigração ilegal para o Mediterrâneo aumentou graças à guerra civil na Síria, que deslocou oito milhões de pessoas dentro do país e forçou quatro milhões a deixá-lo. A maioria desses refugiados ficou em países vizinhos, mas muitos quiseram ir além. Alguns foram para a Líbia, atravessando o Egito ou voando para o Sudão e participando de uma das rotas de contrabando que atravessam o Saara. Lá eles acabam encontrando refugiados que fogem da Eritreia, um país que, com a sua mistura de serviço militar indefinida, tortura, detenção arbitrária e repressão do governo, tem um dos piores registros de direitos humanos no mundo. Portanto, a Líbia é agora mais uma vítima da Primavera Árabe.

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As rotas de contrabando, que costumavam ter a Líbia como destino final, agora continuam pelo mar. A grande maioria daqueles que saem da Líbia pelas margens italianas frequentemente passam pela pequena ilha de Lampedusa.

Segundo o Regulamento de Dublin, o primeiro país da União Europeia a receber um imigrante deve assumir a responsabilidade por ele; países do Sul dizem que isso coloca muito ônus na gestão das fronteiras. A Alemanha, a França e a Grã-Bretanha, porém, dizem que eles acabam recebendo mais refugiados e imigrantes, tanto por causa da imigração ao longo de outras vias (por exemplo, através dos Balcãs) quanto porque os sulistas encorajam os imigrantes a irem para o norte. Chegar a um acordo sobre uma distribuição equitativa da carga ainda não se provou possível.

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Fontes:
The Economist-Europe's boat people

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