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SEITA MUÇULMANA

Erdogan culpa gulenistas por tentativa de golpe na Turquia

A maioria dos turcos acredita que uma seita muçulmana secreta foi um dos principais mentores da tentativa de golpe de Estado na Turquia

Erdogan culpa gulenistas por tentativa de golpe na Turquia
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acredita que os gulenistas são os principais instigadores da tentativa de golpe (Foto: Wikimedia)

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Até há pouco tempo, a maioria dos turcos lembrava-se de Hakan Sukur como o homem que fez o gol mais rápido na história da Copa do Mundo e conquistou o terceiro lugar para a Turquia na Copa de 2002. Hoje, muitos o veem como um cúmplice involuntário do golpe de Estado em que 270 pessoas morreram no início do mês de julho. Sukur pertence à comunidade gulenista, ou cemaat, um movimento muçulmano secreto. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acredita que os gulenistas são os principais instigadores da tentativa de golpe. A maioria dos turcos concorda com sua opinião.

O cemaat apresenta-se no cenário internacional como a visão esclarecida do Islã. Liderado por um clérigo turco exilado nos Estados Unidos, Fethullah Gülen, a seita defende a democracia, o diálogo inter-religioso e a educação. O movimento administra uma grande rede de instituições beneficentes, bancos, meios de comunicação e empresas, assim como milhares de escolas, tanto na Turquia quanto no exterior. Seus seguidores incluem jornalistas, políticos e figuras públicas, entre elas, os melhores jogadores de basquete do país e o astro do futebol turco, Hakan Sukur.

O cemaat também é conhecido por ter uma organização clandestina, uma rede de seguidores que se infiltraram no sistema judiciário da Turquia, na polícia e no exército. Os jovens formados nas escolas administradas pelo movimento assumiram cargos burocráticos no governo nos anos 1980. Na década de 2000, aderiram em massa ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK), na época sob a liderança de Erdogan. Nas forças de segurança, disse Hanefi Avci, um antigo chefe de polícia, os oficiais gulenistas formam uma hierarquia paralela preocupada apenas com seus interesses pessoais.

Funcionários públicos leais ao cemaat vazam informações nos exames de ingresso nas universidades e no serviço público para jovens adeptos. Muitos seguidores pagam dízimos para financiar as atividades do movimento. As empresas administradas pelos gulenistas publicam anúncios nos jornais galenistas que, por sua vez, publicam artigos elogiosos demais sobre as iniciativas das instituições beneficentes gulenistas, e assim por diante.

Os que tentaram expor as atividades do movimento sofreram represálias. Dois jornalistas que escreveram livros sobre o tema, assim como um promotor público que investigou o grupo, foram presos sob a acusação de terrorismo no início da década de 2010. Hanefi Avci, que escreveu um livro a respeito da estrutura de poder do cemaat no âmbito da polícia, foi condenado a 15 anos de prisão.

Todos já foram soltos. Por enquanto, disse Asli Aydintasbas, um ex-jornalista que hoje trabalha no Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, “é menos perigoso queimar uma estátua de Erdogan no meio de Istambul do que investigar os gulenistas”.

Fontes:
The Economist-Most Turks believe a secretive Muslim sect was behind the failed coup

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