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APESAR DA AMEAÇA DE TRUMP

Erdogan promete manter ofensiva contra curdos

Um dia após Trump afirmar estar pronto para ‘destruir a economia da Turquia’, presidente turco diz que ofensiva seguirá até que alcance seu objetivo

Erdogan promete manter ofensiva contra curdos
Ofensiva turca gera risco de recrudescimento do Estado Islâmico (Foto: Anadolu)

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, prometeu seguir com a ofensiva militar contra curdos na fronteira de seu país com o nordeste da Síria, apesar das ameaças do presidente americano, Donald Trump, de elevar de 25% para 50% as sobretaxas impostas contra o aço turco e de congelar um acordo comercial de US$ 100 bilhões negociado entre os países.

“Vamos continuar nossa luta até que ela alcance os objetivos que estabelecemos”, disse o presidente turco, em um discurso, noticiado pela rede Al Jazeera, em Baku, capital do Azerbaijão, que sedia a Sétima Cúpula do Conselho de Cooperação dos Estados que falam a língua turca.

Na última segunda-feira, 14, Trump disse, por meio de sua conta no Twitter, estar pronto para “destruir a economia da Turquia” em retaliação à ofensiva turca contra curdos na região. Ele ameaçou elevar as sobretaxas e congelar o acordo comercial.

“Estou totalmente preparado para destruir prontamente a economia da Turquia se os líderes turcos continuarem a trilhar esse caminho perigoso e destrutivo”, escreveu o presidente americano.

A declaração de Trump foi dada após uma onda de críticas internas nos EUA referentes à sua decisão de retirar as tropas americanas do norte da Síria, onde atuavam ao lado de curdos. A parceria entre as tropas e as forças curdas foi crucial para a derrocada do Estado Islâmico na região. Porém, a retirada americana abriu caminho para a ofensiva da Turquia, que classifica os curdos na fronteira como “terroristas”.

Além disso, o fato de Trump afirmar ter decidido não intervir na ofensiva turca despertou o alerta de recrudescimento do Estado Islâmico, uma vez que muitos extremistas do grupo se encontram detidos pelos curdos.

Na semana passada, Trump reconheceu o risco, mas afirmou que os EUA lutarão quando for em seu benefício e apontou que seu país já gastou enormes quantias com os curdos.

“Os curdos lutaram conosco, mas receberam enormes quantias de dinheiro e equipamentos para isso. Eles lutam contra a Turquia há décadas. Eu segurei essa luta por quase três anos, mas é hora de sairmos dessas ridículas guerras sem fim, muitas delas tribais, e levar nossos soldados para casa. Lutaremos quando for em nosso benefício e somente lutaremos para vencer. Turquia, Europa, Síria, Irã, Iraque, Rússia e curdos agora terão que entender a situação e o que eles querem fazer com os combatentes do Isis capturados. Todos eles odeiam o Isis, são inimigos há anos. Estamos a 7000 milhas [cerca de 12 mil quilômetros] de distância e esmagaremos o Isis novamente se eles chegarem perto de nós!”, escreveu o presidente americano no Twitter.

A retirada das tropas e a decisão de Trump de não intervir contra a ofensiva turca foi considerada um abandono de um aliado em meio a um momento crítico, o que despertou críticas tanto de democratas quanto de republicanos. A decisão também repercutiu negativamente na opinião pública americana. Diante disso, na última segunda-feira, Trump optou por mudar o tom, anunciando as ameaças de retaliação à Turquia.

Prisioneiros do Isis e o jogo de empurra

Na segunda-feira, Erdogan acusou os curdos de libertarem deliberadamente prisioneiros do Isis no intuito de semear o caos na região. A declaração foi dada poucos dias após Trump acusar as forças curdas de soltar os extremistas para “chamar a atenção dos EUA”.

Paralelamente, duas fontes do governo americano ouvidas pela revista Foreign Policy, informaram que milícias aliadas das forças turcas vêm libertando os extremistas de prisões abandonadas pelos curdos em decorrência da ofensiva turca. A declaração contradiz as acusações de Trump e Erdogan.

De qualquer forma, a ofensiva turca contra os curdos pode representar um revés na luta contra o Isis. Estimativas apontam que há pelo menos 10 mil extremistas do Isis mantidos em prisões guardadas por curdos no nordeste da Síria.

Leia mais: Quem são os curdos e por que a Turquia está os atacando?

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1 Opinião

  1. Dinarte da Costa Passos disse:

    Traidor ou não dos curdos! Essa é a tarja que o mundo tem colocado a Trump, mas a retirada das tropas americanas pode ser uma estratégia militar para garantir os interesses americanos sem investimento direto do tesouro contra os Estados Árabes hostis aos ianques. A Turquia é uma velha aliada dos Estados Unidos, mas com a ascensão de Erdogan no poder ela vem se distanciando dos interesses judaicos-americanos. Por outro lado o Irã está interessado em se manter militarmente na Síria e a presença turca na região poderá levar para o conflito entre as duas nações, tudo o que israel grande aliado dos americanos quer que aconteça. Enfim é um embrolho de forças divergentes que não se sabe qual é o grupo mais confiáveis. Na dúvida Trump deixa a guerra por conta deles para que se matem com suas próprias espadas e com certeza ficará de longe observando para intervir em qualquer dos lados vencedores que ameaçar os interesses americanos.

    Nada de traição, somente estratégia.

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