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TURQUIA

Erdogan quer universidades separadas por sexo

Presidente turco se inspira nas universidades japonesas, as quais já tinha elogiado durante o G20. Críticos apontam problemas educacionais mais profundos

Erdogan quer universidades separadas por sexo
No Japão existem cerca de 80 universidades exclusivamente femininas (Foto: Kremlin.ru)

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou a fazer lobby por universidades exclusivamente femininas no país. Desde que esteve na cúpula do G20, em Osaka, no Japão, o chefe de Estado demonstrou-se atraído por universidades dividas por sexo.

Durante a cúpula do G20, ocorrida no fim de junho, Erdogan já havia expressado desejo em replicar o conceito universitário japonês, que conta com algumas instituições separadas por gênero, na Turquia. Na ocasião, o presidente turco recebeu um título honorário de uma universidade frequentada apenas por mulheres, a Universidade de Mulheres Mukogawa.

Já na capital da Turquia, Ancara, Erdogan revelou que pediu ao Conselho Turco de Educação Superior (YOK) para iniciar um programa de segregação universitária. Isso porque, para o chefe de Estado, existem vantagens neste modelo.

No Japão existem cerca de 80 universidades exclusivamente femininas, criadas a partir do século XIX. Antes da Segunda Guerra Mundial, essas universidades eram frequentadas, em sua maioria, por esposas de aristocratas. O principal objetivo dessas instituições era produzir “boas mulheres e boas mães”, de acordo com  o Adido Educacional da Embaixada do Japão em Ancara, Shinya Takeuchi, mas também visavam facilitar o acesso de mulheres à educação.

Mais tarde, após o fim da Segunda Guerra Mundial, acompanhando o “novo mundo moderno”, as universidades mudaram. Apesar de serem conhecidas como “cristãs”, não é necessário que as mulheres sejam cristãs para frequentar. O modelo ainda é um sucesso no Japão. Segundo Takeuchi, todas as estudantes falam inglês fluentemente. Estima-se que 95% das alunas encontram empregos assim que se formam.

As afirmações de Erdogan desagradaram diferentes grupos de ativistas da Turquia. O principal argumento é que o Japão está distante de ser considerado um exemplo de igualdade de gênero, visto que, em 2018, um relatório do Fórum Econômico Mundial colocou os japoneses em 110º lugar, entre 149 países, no quesito.

Ademais, segundo analisou a cientista política Fatmagul Berktay, especialista em direitos das mulheres, o sistema educacional turco está “fundamentalmente quebrado”, tendo problemas mais urgentes do que segregar as universidades. 

“Precisamos urgentemente melhorar nossa educação. Falar sobre universidades segregadas por gênero neste momento é pura tolice”, destacou Berktay, lembrando ainda um estudo turco, similar ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que apontou um desempenho ruim de crianças turcas em matemática e em turco.

A cientista política ainda contradiz os argumentos utilizados por Erdogan, que citou uma possível melhora no desempenho de meninas turcas na educação. “Se você olhar para as notas das meninas na escola primária, verá que o desempenho escolar delas está melhor do que nunca – embora elas estejam sendo ensinadas ao lado dos meninos”, afirmou Berktay.

Outra questão apontada pelos críticos foi o sucateamento do sistema universitário da Turquia desde 2016, quando houve a tentativa de golpe de Estado. Desde então, segundo apontaram, muitos professores turcos perderam empregos através de decretos, enquanto outros receberam sentenças de prisão.

Fontes:
DW-Erdogan quer adotar segregação de gênero nas universidades turcas
Anadolu-Japan’s women’s universities draw spotlight in Turkey

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1 Opinião

  1. Paulo Oliveira disse:

    O estudo encaminha ao conhecimento da verdade,Jesus Cristo é a verdade, é o (mediador) da humanidade com o DEUS de Israel, o Único DEUS.

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